13.3.12

Pais & Filhos




Se 
queres que lutem pelos seus objetivos, antes de mais e acima de tudo, nunca desistas de definir e lutar pelos teus

queres que sejam ambiciosos, não te resignes tu a uma vida pequenina; compra o carro que desejas, faz a viagem que sonhas, luta pela posição profissional que mereces ou, melhor ainda, cria a tua autonomia; mostra-lhes que a ambição não é necessariamente uma coisa nociva; pode ser apenas e só uma das formas de nos valorizarmos e respeitarmos, e de definirmos com frontalidade quem somos e onde acreditamos que conseguimos chegar, sem vergonha, ou falsa modéstia. tudo o que consegues pelo teu trabalho e empenho genuíno é merecido

queres que sejam responsáveis, não os carregues de culpas nem permitas que o façam contigo. ser responsável implica chamar a nós os nossos erros e não ter a ilusão de que não se falha nunca

queres que sejam autónomos, dá-lhes autonomia. não há autonomia sem liberdade. mostra-lhes que ser livre não é fazer tudo o que se quer, mas fazer escolhas e com elas ganhar mais oportunidades.

queres que vão mais longe, mostra-lhes que pensar fora dos padrões preconcebidos dá muito trabalho mas traz muita recompensa, que exige coragem e uma boa dose daquilo a que muitos chamam loucura, mas muitos chamam ousadia, liderança e criatividade. sobretudo, dá-lhes esse exemplo através da tua vida

queres que aprendam a viver com as suas inseguranças e os seus insucessos, diz-lhe que acreditas neles (mesmo que com o coração apertado e cheio de dúvidas), nas suas competências e no seu potencial e que mesmo que falhem algumas vezes e que algumas dessas vezes se sucedam, vão conseguir atingir os seus objetivos porque tens a certeza de que são capazes - além do amor, não há nada tão regenerador quanto alguém dizer que acredita em nós e no que conseguimos fazer

queres que vivam a mensagem cristã - ou que, independentemente de qualquer religião, consigam ir para além da superfície - ensina-os ser antes de mais humildes para consigo mesmos; ser humilde connosco próprios significa aceitar que não acertamos sempre e que nem sempre a vida nos entrega o que esperamos ou merecemos, quando desejamos; ensina-lhes também o perdão, aquele que liberta da culpa (que só aprisiona) e que a faz reconciliarem-se com as suas dificuldades e os seus erros de forma saudável e construtiva; sempre que nos perdoamos a nós mesmos ficamos mais disponiveis para perdoar e integrar as falhas dos outros. somos muito mais fortes quando somos humildes e perdoamos, ao contrário do que se julga. 

queres que sejam felizes, mostra-lhes que a felicidade não é um caminho reto e sem obstáculos; mostra-lhes que a felicidade é muito mais do que um conceito vago e indeterminado, que é uma forma de estar na vida que requer muito trabalho mas que, invetavel e incontornavelmente a torna muito mais rica, bonita e pacifica

queres que se orgulhem de ti, mostra-lhes quanto te orgulhas deles

queres que sejam amados por quem escolherem ao longo da sua vida, mostra-lhes que não abdicas do amor na tua vida; que não aceitas viver sem afeto e sem gestos de carinho; 

queres que tenham tudo o que sonhas para eles, diz-lhe que vale a sempre a pena não desistir dos sonhos

queres que sintam que podem contar sempre contigo, diz-lhes que os amas, assim mesmo, com todas as letras, mesmo quando o recusarem (por rebeldia da idade) ou disserem que é tarde ou não acreditam

só o amor incondicional nos salva dos equívocos e tudo consegue curar

8 comentários:

  1. Que texto lindo... palavras que dizem tudo sobre a forma como educamos (ou devíamos educar) os nossos filhos!

    Sou uma leitora assídua, de há pouco tempo, mas tenho ficado fascinada com a sua forma de escrever!
    Parabéns e obrigado por 'deixar entrar o sol', também nas nossas vidas :)

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  2. Ohhh meu Deus, que imagem mais ternurenta!:)

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  3. Gostei mas discordo da conclusão final. O amor incondicional salva-nos de muitos equívocos e melhora inclusivamente a nossa qualidade de vida. Mas quer nas relações entre pais e filhos, quer no geral das relações humanas, amar não basta. É preciso arregaçar as mangas e trabalhar na relação. Ceder, apoiar, definir, construir, investir.

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  4. Terra das Cores, muito obrigada pela visita e comentário.
    Também admiro muito a sua arte :)

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  5. Pulha,
    Compreendo o que dizes e concordo integralmente. É precisamente a tudo isso que chamo amor incondicional.
    Para mim, o amor incondicional não é aquele que é passivo, que se limita a aceitar tudo, sem ação ou investimento. É exatamente o contrário. É tudo isso que dizes: é ceder, apoiar, definir e contruir, investir... é reinventar, se quiseres.
    Dá uma trabalheira amar incondicionalmente, talvez por isso pouca gente o faça, tornando incontornavel a conclusão de que o amor não chega. E não chega, é verdade! Tem de ser um amor incondicional :)

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  6. E nem tudo é tão delinear como descreves aqui...
    Por mais esforços que se façam nem sempre é recompensado...
    Neste momento eu sofro com uma situação MUITO complicada sobre este assunto, como mãe e como filha...
    Há coisas que não explicáveis muito menos estendíveis!
    O meu amor é incondicional, sem sombra de dúvida.

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