este lugar não é sempre cor de rosa, por aqui não há sempre sol e nem tudo são flores.
também há dias cinzentos, chuva, cardos e urtigas.
é tudo isso que o faz uma boa parte de mim.

28.8.15

Amor-a-metro e outras histórias



Para quem cresceu entre linhas, botões e entretelas, é sempre um motivo de felicidade encontrar lojas que contrariam a tendência deste país - desprezar o comércio de rua e ignorar o valor de lojas de mantêm viva a alma de um povo. Negligenciar fatores como estes, é uma outra forma de se ser inculto. É ser provinciano, no pior sentido do termo. 
The Craft Company contraria a tendência, numa Vila que já foi conhecida pela exuberância e originalidade do seu comércio de rua, que incluía o comércio ambulante, na era pré-China store, na Rua Direita. Num cantinho discreto, Cascais ficou mais bonita. E mais culta. Assim quem a frequenta faça o resto e lhe dê longos anos de vida. 
A sua proprietária, Alexandra Egreja, está decididamente de parabéns. Pelo arrojo e pelo bom gosto, sobretudo ao apostar em promover do melhor Made in Portugal, neste segmento.

17.8.15

Para todo o fim de férias há um final feliz

O meu é voltar à cozinha e aos sabores que mais gosto.
Está quase tudo inventado e o que está por inventar estará provavelmente reservado ao campo da tecnologia. 
No que a natureza dá e no que o homem lhe acrescenta, basta a ambiciosa tarefa de reinventar. Se há laboratório privilegiado nesta matéria, a cozinha é certamente um deles. E as melhores receitas são, sem dúvida, as que somos capazes de recriar, partindo do que está inventado, do que é conhecido, mas seguindo o instinto do nosso palato e os desejos da nossa alma. O resto? O resto é amor na ponta dos dedos. 
No prato há arroz selvagem com pimentos laranja em molho de manjericão, maracujá e pimenta cayenne. No copo, o sumo é de melancia com hortelã e sumo de limão.
A sobremesa não necessita de legendas... está à vista!
Não há segredos para a grandeza dos prazeres simples.


Crónica das férias | A saga das leituras e o regresso ao trabalho



Sempre gostei de ler e sempre li com regularidade, desde miúda. Na meninice, os livros da aventureira Patrícia faziam as minhas delicias. Mais tarde, de Eça de Queirós li praticamente toda a bibliografia e ao longo de muitos anos foram os livros de ciências sociais e humanas, ligados em particular à psicologia, pediatria e sociologia que me fizeram companhia, em férias, e ao longo do resto do ano.
Este último ano foi, seguramente, o ano em que mais distante andei dos livros. Sinto, como nunca senti, um esforço de concentração acima da média e é fácil dar por mim a consumir letra e linhas sem ter apreendido o sentido do que lia ou retido qualquer informação... Será da idade, será uma fase? Não sei. Saberei daqui a uns tempos, caso o padrão se mantenha ou altere e retome o meu conhecido ritmo. 
Como é habitual em mim, animal de rotinas e de padrões comportamentais mantidos ao longo de muito tempo, na véspera da partida para férias, senti necessidade de ir ao encontro de uma leitura que me ancorasse ao velho hábito. Em mente, um livro que tinha curiosidade de ler há algum tempo. Rumei à Fnac mais perto, para o comprar. Já de livro na mão, na fila para pagar, percebi claramente que ia ser um dinheiro gasto em vão. Voltei para trás, devolvi-o à companhia dos irmãos na prateleira e regressei a casa para me dedicar ao puzzle das malas.
Em si mesmo, o tema livro e leituras tem pouco interesse que lhe esprema. No fundo, no fundo, o que aqui me faz deter por mais tempo é observar as diferenças de comportamento, é observar-me de dentro para fora, é compreender mais profundamente os ciclos de vida, quais são as alterações do momento e quais são as mais profundas, quando se enraízam, e se tornam estruturais, criando uma nova forma de "eu".
Ainda assim, dando largas à teimosia de manter o registo que me é mais familiar, na única paragem de viagem, na estação de serviço onde se esticam as pernas e se repõe o nível de cafeína, senti-me compelida a comprar uma revista, mesmo tendo em conta que tinha um único artigo que me interessava.
Adivinham a moral desta história?
Pois é, não passei do primeiro parágrafo... porque, afinal de contas, ia ter uma série de dias para dar conta do recado!
Enquanto escrevo estas linhas, ela repousa, de olhar sarcástico, na mesa de apoio ao sofá. Fito-a em desafio e juro a mim mesma que vou ser eu a ganhar esta parada. O tempo o dirá! Por agora, é dia de voltar ao trabalho, é hora de retomar o que gostava de ter conseguido deixar feito antes de férias, para ter direito a descanso todo o Agosto. Mas à conta do cansaço acumulado e da amiga falta de concentração, no fim de Julho, já a cigarra ganhava pontos à formiga... Entreguei-me ao ócio. É agora tempo de pagar a fatura.

Bom regresso, a quem está no mesmo barco!

13.8.15

Depois das férias


O corpo acorda de mansinho enquanto a alma suplica por tempo para se espreguiçar. Dos cinco sentidos, sacudimos com cerimónia a poeira dos dias anarcas.
Enquanto desfazemos as malas, há um tempo bíblico que paira sobre nós. O 'Antes' e o 'Depois' ditam a história que escorre para a foz onde desagua o ano. Até lá, garimpamos os dias e lapidamos as escolhas com a avidez de quem quer encontrar um tesouro.
Depois das férias, há Verão no calendário e um brando Outono que nos habita por dentro. Chama-se Recomeço.

Pedido de ajuda à comunidade blogger



No regresso de férias e ao tentar atualizar o header do blog, inadvertidamente, eliminei não a fotografia, mas a aplicação do header, em sim mesma. Mesmo depois de dissecar as entranhas do back office e procurar informação online sobre como resolver a situação, não consegui encontrar solução nem reverter o disparate. Admitindo ser muito azelha no que toca a coisas informáticas, mas admitindo igualmente que não será um problema irresolúvel nem irreversível, agradeço toda a ajuda que me possam dar, para voltar a deixar entrar o sol no header desta página.

Obrigada!