este lugar não é sempre cor de rosa, por aqui não há sempre sol e nem tudo são flores.
também há dias cinzentos, chuva, cardos e urtigas.
é tudo isso que o faz uma boa parte de mim.

29.1.15

Porque os alimentos são muito mais do que uma refeição


Uma das melhores coisas da vida são as conjugações improváveis que surpreendem pela positiva. De sabores. De momentos. De pessoas. 
É afinal numa dose certa de imprevisibilidade que está o melhor condimento dos dias.

:: Massa negra
:: Pimentos vermelhos
:: Cogumelos Paris
:: Manjericão
:: Sementes de papoila

Só por hoje

Só por hoje, deixa-me ser frágil. Deixa que qualquer toque me derrube e que qualquer brisa me estremeça sem que eu tenha de ser estrutura e obstáculo. Só por hoje, deixa-me não ser crescida. Deixa-me ter medo do escuro, ver fantasmas em todas as sombras, acreditar em bruxas, ver monstros nas esquinas. Só por hoje, deixa-me esconder a cabeça debaixo das almofadas, deixa-me ser bicho-de-conta e também porco-espinho. Só por hoje, deixa-me não precisar da força do pensamento, deixa-me ser mais animal e menos gente. Só por hoje, deixa-me não ter de ser forte, deixa-me não ter de pensar em tudo, deixa-me não ter de pensar em todos, deixa-me ficar só no teu colo, sentir a curva dele onde me ajusto e onde diminuem todos os meus receios. Só por hoje, faz da força dos teus braços ramos em torno do meu casulo. Só por hoje, não digas nada. Melhor, só por hoje, diz com a tua voz serena e firme vai ficar tudo bem. Só por hoje. Só por hoje. Só por hoje, deixa-me ser pequenina.

27.1.15

Quando o branco se torna azul


Não é novidade. Da ilustração à pintura, crescemos com imagens que reproduzem cenários de paisagens nevadas em tons de azul. Sabemos. Eu sabia. Não tinha esquecido. Mas voltar a debruçar um olhar mais demorado sobre esse efeito da refração da luz foi um privilégio e uma nova oportunidade de contemplação. Para uma visita que soube a tão pouco, as condições do tempo não podiam ter sido melhores. Um céu escandalosamente azul, um sol grande e generoso a derramar o charme da sua luz por todos os recantos, uma temperatura amena, um lado da Serra longe das multidões que subiram à torre para umas horas de diversão. A comunhão e a paz de espírito. Perfeito!
Estas não foram as únicas imagens que trouxe comigo, mas o tempo para as selecionar e partilhar não tem estado do meu lado. Para os próximos dias prometo mais.

16.1.15

| A sociedade do cansaço*



«Todas as épocas têm as suas patologias e estas funcionam como indicadores que vão além do diagnóstico banal. As enfermidades dominantes mostram-nos o ponto de dor escondido, revelam comportamentos e compulsões, desocultam a vulnerabilidade que é a nossa, mas que raramente queremos ver. Ora, o grande combate dos séculos que nos precederam foi bacterial e viral. A invenção dos antibióticos e das vacinas, partindo do reforço imunulógico, sem resolver tudo, torna, no entanto, esses problemas sanitários controlados. É verdade que de vez em quando irrompe o pânico de uma pandemia viral, mas essa não é a questão que condiciona mais profundamente os nossos quotidianos e práticas. O filósofo Byung-Chull Han, seguido atentamente em círculos cada vez mais amplos, defende que este começo do séc.XXI, do ponto de vista das patologias marcantes, é fundamentalmente neuronal. O sol negro da depressão, os tanstornos de personalidade, as anomalias de atenção (seja por hiperatividade, seja por uma neurastenia paralisante), a síndrome galopante do desgaste ocupacional que nos faz sentir devorados e exauridos por dentro à maneira de uma terra queimada, definem o difícil panorama da década presente e das que virão. Estas enfermidades não são infeções, mas modalidades vulneráveis de existência, fragmentações de identidade, incapacidades de integrar e refazer a experiência do vivido.
A verdade é que as nossas sociedades ocidentais estão a viver uma silenciosa mudança de paradigma: o excesso (de emoções, de informação, de expetativas, de solicitações...) está a atropelar a pessoa humana e a empurrá-la para um estado de fadiga, de onde é cada vez mais dificil retornar. O risco é o aprisionamento permanente nesse cansaço, como explicava profeticamente Fernando Pessoa:
"Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem de estar cansado.
De que estou cansado não sei:
De nada me serviria sabê-lo
Pois os cansaço fica na mesma" »


* Palavras de José Tolentino Mendonça, para refletir.
in A Mística do Instante | o tempo e a promessa

14.1.15

As tuas mãos

Tens as mãos fortes. Os teus dedos não são longos nem esguios. São dedos banais, nada de especial ocorre para os descrever, nada assinalável para os caracterizar. Mas são os teus dedos. Esses dedos com que percorres madeixas do meu cabelo, que enrolas e desenrolas ao sabor do teu capricho mesmo sabendo que me irrito sempre com isso. Sorris e insistes nisso. Repreendo-te, digo que fazes nós. Tu ignoras.
Sempre gostei de mãos. São elas que guardam as maiores e melhores histórias do que todos somos. É nas mãos que temos a ação, a condução, o modo de agir. A cabeça e as emoções só as seguem. As mãos são o nosso impulso. Aquele que agarra numa fração de segundo uma inesperada queda. Aquele que ampara num ombro uma cabeça que adormece. O que por vezes nos empurra para o saudável desconhecido.
Antes mesmo de sermos elaborados pensamentos e amontoados de desejos somos as mãos que temos. São elas que levamos à boca quando temos sono e fome e ainda nem sabemos que mundo é este que nos acolheu. A mão que embala o berço é a mão que comanda o mundo. Esquecemos, mas não saímos impunes.
As tuas mãos são fortes. São banais e róis as unhas, mas há dias em que seguram a minha cabeça como se com elas dissesses todas as coisas que a maioria das vezes calas. As tuas mãos falam. Eu oiço. Mesmo quando com elas percorres as madeixas do meu cabelo e me contrarias.

Como sombras chinesas


De outros dias, que deixam saudades.

12.1.15

As árvores da minha rua


Contorcem-se e erguem-se. Vestem-se e despem-se. São alimento e são abrigo.
Desdenham do betão e zombam do alcatrão. Ignoram o urbano ruído e são o silencioso palco dos pássaros que as habitam.
São tapete de folhas no chão e toldo verde que desenha sombras.
As árvores da minha rua são poesia.

7.1.15

Piquenique Welcome 2015


O inicio de mais um ano. Amigos. Partilha. Natureza. 
Tudo o mais as imagens falam por si. Para mim é só uma das muitas formas de ser grata à vida pelo tanto que sempre me dá e deu.