este lugar não é sempre cor de rosa, por aqui não há sempre sol e nem tudo são flores.
também há dias cinzentos, chuva, cardos e urtigas.
é tudo isso que o faz uma boa parte de mim.

24.7.15

Por terras de Azeitão


A visita que originou estas fotografias foi há quase dois meses, meio visita de trabalho, meio de lazer, graças à generosidade da "cliente" que entretanto se tornou, muito mais do que isso, numa querida amiga e que me levou a conhecer lugares nunca antes visitados, entre os quais, o das últimas sete fotografias desta sequência, a Quinta das Torres, um espaço absolutamente mágico, mas atualmente privado e apenas destinado a eventos e que consegui ver e fotografar apenas e só porque ela conhece o proprietário.
Deste dia havia muito mais fotografias, mas infelizmente não escaparam à avaria irreparável do disco rígido do computador que comprei, novinho em folha, no inicio deste ano... Fica, pela segunda vez, a lição e espero desta vez ter aprendido, de uma vez por todas, a fazer backups regulares, sobretudo quando está em causa trabalho. Felizmente, entre todo o azar, de trabalho não se perdeu nenhuma!

Temperamento Atlântico


- Guincho -
- onde a natureza não faz cerimónias em ser exatamente como lhe apetece ser - 

7.7.15

Na montra | as dores de crescimento e a idade dos porquês

É relativamente pacífico o entendimento de que todo o crescimento acarreta alguma dor e uma boa dose de desafios para enfrentar. As cólicas dos recém-nascidos, consequência do aparelho gástrico a engrenar, as dores dos primeiros dentes que rasgam as gengivas e os ouvidos e a alma de quem assiste impotente, as dos joelhos esfolados, dos galos feitos nas esquinas dos móveis baixos, as nódoas negras dos primeiros pontapés ou dentadas oferecidos pelos novos amigos no infantário. Até aqui nada, de novo. São as dores de crescimento. Estas e as dos ossos que por vezes esticam mais depressa do que a idade consegue acompanhar. Passadas estas, vêm as outras, as emocionais, as da idade dos porquês que começa cedo e acaba tarde, com os pais e os professores a deitarem as mãos à cabeça e contas à vida, para perceber "onde andam a falhar". Mais uma vez, até aqui, nada de novo. É a vida a acontecer, geração atrás de geração, uma década atrás da outra, com as vicissitudes que cada era lhe confere. Aparentemente, a partir dos vinte e tais, podíamos todos respirar de alívio e entrar em velocidade de cruzeiro, ficando guardados apenas para os achaques lá mais à frente, naquela curva que se quer distante, quando ao fim de uma saborosa reta a vitalidade dos motores começa a esmorecer. Mentira! A história repete-se a meio. As dores de crescimento e a idade dos porquês voltam à ribalta quando tudo parecia ultrapassado e arrumado nas caixas da infância e da adolescência que tão bem etiquetámos.
Fala-se, vaga e encapotadamente, na crise da meia idade, mas aparentemente ninguém percebe muito bem que, pelo meio deste conceito vago e indeterminado, há toda uma nova realidade de crescimento para dissecar. Cá para mim, que já passei pelas outras e que levo a procissão a meio, é aqui que a coisa fia mais fina. 

De certa forma, pensando bem, parece inevitável passar por novo rebuliço entre os 40 e os 50, nunca esquecendo que, nos dias que correm, o desafio é engrossado pelo estado de sítio em que a vida se encontra. Quando de forma justa e consequente a maioria da geração quarentona devia estar a colher o que semeou e plantou lá atrás, veio um vento que tudo levou e que, literalmente, obrigou a maioria arregaçar as mangas do nada. Apesar de tudo, mesmo sem essa circunstância conjuntural, entre os 40 e os 50, somos chamados à grande revisão da matéria dada. Provavelmente, a mais determinante de todas. Daí para trás quase tudo é perdoado. Daí para a frente, o jogo do "verdade ou consequência" joga-se mesmo a valer.
Como na adolescência, estamos mais ou menos no meio de nada, mas cheios de convicção do que somos ou queríamos ser. Entalados entre o que já não somos - jovens adultos cheios de vigor e estaleca para levar tudo e todos à frente e agarrar com unhas e dentes o céu e as estrelas mesmo sabendo que não chegamos lá - e o que ainda não somos - velhos que podem fazer tudo o que lhes dá na real gana porque ficámos incontinentes das ideias ou sabemos muito bem fazer de conta que sim, para nos rirmos dos outros por dentro e fazermos por fora só o que bem entendemos.
Entre os 40 e os 50, os filtros estão cheios de resíduo. Já se percorreram milhares de kms e, em alguns casos, nem se escolheram os melhores caminhos. A direção está desalinhada pelos buracos do percurso, ou pneus gastos, mas ainda não se chegou ao destino. Pior. Muitas vezes, quando se pára, está-se no meio do deserto sem água nem gps. E nem uma palmeirinha à vista!
Os que tiveram filhos cedo, temem pelo seu papel como educadores quando confrontados com uma adolescência que, por muito ténue que seja, dá cabo da mais robusta resistência à teimosia e à anarquia. Os que tiveram filhos tarde, têm receio de não os conseguir acompanhar ao mesmo ritmo. Os que não tiveram filhos mas queriam ter tido, fazem contas ao vazio por vezes instalado ao olhar para um relógio biológico parado. 
Profissionalmente, mais do mesmo. Hoje é garantido que nada é garantido. Entre os 40 e os 50 sabemos mais que o estagiário mas não podemos ganhar mais do que ele porque somos um peso para as empresas. Pede-se a quem tem entre 40 e 50 que olhe para a vida como um adolescente e acredite que tudo é possível, mesmo que a evidência mostre descaradamente o contrário. 
Não será também por acaso que esta é uma fase da idade em que mais casamentos estoiram. Já toda a gente brincou o suficiente às casinhas e está na hora de refazer a história. Ou contar outra que pareça mais leve, mais fácil ou pelo menos tenha menos nódoas difíceis e entranhadas.

Chamar à segunda adolescência "crise de meia idade" é brincadeira de mau gosto. Talvez esta seja a década do crescimento físico, intelectual e emocional que mais crises existenciais instala, que mais dúvidas coloca e que menos respostas rápidas devolve. Para encontrar o fio à meada tem que se ser bem crescidinho e conseguir crescer ainda mais um bocadinho. É por isso que uma boa parte das pessoas nesta faixa etária suspira pelos 20 anos. Numa aparente fuga para a frente que pretende a todo o custo pôr os ponteiros do relógio a andar para trás, corre-se ao botox, às extensões e às unhas de plástico, ao lipo aspiranço e cai-se na noite - e até mesmo no dia! - como se não houvesse amanhã. "Eles" também, mas até as mais recentes sondagens revelam que "elas" os adoram com barriga, por isso basta que façam conversa de adolescentes, que digam frases feitas como se fosse a primeira vez e que finjam que "dançar" é o seu nome do meio. Tudo o que basicamente desistiram de fazer, há muitas luas atrás, desculpando-se com as rotinas.
A quem não entrar nesta onda, abreviando, pede-se que seja bem comportado. Mesmo que a roupa esteja apertada ou os sapatos já não sirvam e façam bolhas ao mais pequeno passo. Já passou o tempo de fazer birras e perguntar porquê tornou-se socialmente inconveniente. Os adultos sabem tudo. É esta a versão que vendemos e compramos há séculos.
A bem das gerações futuras que criamos e educamos, não seria mais honesto passarmos um anti-vírus, fazermos um update ao programa instalado e fazê-los compreender que crescer depois dos 40 dá trabalho e por vezes dói que se farta? Talvez se poupasse nos anti-depressivos.

11.6.15

Detalhes especiais




De um dia que é sempre tão saboroso quanto bonito.

Gosto de projetos em que não só se sabe o que se faz, como se gosta do que se faz e, acima de tudo, em que se é consistente no que se faz. 
Fazer bem, quando se começa, é relativamente fácil. Fazer bem, na continuidade, infelizmente, não é para todos. Porque para fazer bem na continuidade é preciso mais do que boa vontade e pensamento positivo. É preciso ter resiliência, aguentar firme contra ventos, tempestades e obstáculos no caminho, é preciso meter as mãos na massa e manter os pés em chão firme. É preciso suar, sujar e lavar o corpo e a alma vezes sem conta, até que resulte. Mesmo sem a certeza de que a semente que se deita à terra vingue. Conta a fé, mas é o trabalho que resulta. É assim nos projetos, como na vida das pessoas. Mas afinal, o que são os projetos, sem as pessoas, que os idealizam, constroem e lutam por eles?
Há três anos que acompanho tão de perto quanto possível a Quinta do Arneiro. Há muito que me tornei cliente assídua da sua banca no Mercado Biológico do Príncipe Real. Que venham muitos Dias Abertos, e que S. Pedro ajude sempre, nas boas colheitas do futuro! Acredito em quem tem de terra as mãos sujas.