28.12.11

A-da-pta-bi-li-da-de



Desde que o mundo é mundo que a sobrevivência se faz á custa da capacidade de adaptação dos que o habitam. Sem a resiliência necessária para resistir ao esforço de mudança que tantas vezes a vida impõe, sem apelo nem agravo, indiferente ás nossas necessidades e seguindo apenas e só o seu caminho, poucos ou nenhum de nós teria chegado até aqui.
A vida mudou de forma radical nos últimos tempos, é verdade, mas não é novidade que ciclicamente o mundo tem destas convulsões e que é com que elas que nos desafia e reinventa, que pula e avança.
Há fases na vida em que, para onde quer que nos voltemos, só encontramos estilhaços, peças desorganizadas e aparentemente inconciliáveis. Um puzzle onde já nada parece ter encaixe. Mas a mesma vida que nos entrega a desordem é a que nos pede a sua reconstrução. Somos fonte de vida como podemos ser de destruição. Tudo depende daquilo em que focamos os nossos objetivos e a nossa atenção. Podemos olhar para o que nos rodeia e lamentar apenas o que não temos ou perdemos ou encher o peito de ar, as mãos com o que nos sobra e descobrir uma forma nova de tudo encaixar. Falta muitas vezes a força, a coragem e a esperança? Falta. Falta sim, senhor! Sobretudo a quem há demasiado tempo a vida desafia a, com muito pouco ou quase nada, fazer mais e melhor. Mas é mais confortável e menos doloroso cruzar os braços, olhar á volta e não ser capaz de ver mais do que destroços? Seguramente que não. Sejamos então capazes de arregaçar as mangas e com peças aparentemente desligadas imaginar e conceber coisas novas. Ou, como bem nos relembra a velha máxima, com os limões que a vida nos dá, trocar-lhe as voltas e, com um inesperado sorriso, fazer uma saborosa e revigorante limonada.

3 comentários:

  1. Um texto que me fez respirar fundo e querer pôr mãos à obra, iniciar um projecto, fazer qualquer coisa, sei lá!

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  2. Isabel,
    Acredita que é muito recompensador ouvir isso. Força, então! :)

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