3.4.12

Abutre



Brilham-te os olhos enquanto sobrevoas a desgraça que não te é alheia. Quanto desejaste tu ver este coração de fora, o olhar exangue, as entranhas reviradas? Andas, voltas, circulas. Julgas que não te vejo a sombra, lá no alto?... Enganas-te. Enganas-te. E também te enganas se julgas que o que vês é uma carcaça, pronta a ser devorada, para teu deleite. Enganas-te. Enganam-te os teus olhos porque é de enganos que vive o teu coração. É sempre uma miragem, o tempo que dura a morte em quem se alimenta de amor. 

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