1.1.12

Começar o ano em Sevilha










Basicamente é como começar o ano noutro sítio qualquer, mas pode ser também uma ideia mais parva.
Se tivesse percebido o calling ring da vida quando acordei mais tarde do que tinha planeado, a coisa tinha sido mais esperta.
Mas nem tudo é mau. As miseráveis tapas foram as responsáveis para, de uma vez para sempre, saber que quando saio da santa terrinha, Mc. Donald´s, Burger King, Pans & Company, Starbucks, e outros plásticos  por medida, são receita garantida, sobretudo quando não se tem fome e menos paciência ainda para procurar uma ementa que valha a pena.
O facto de me ter perdido, não uma, mas duas vezes, uma a pé e outra de carro, por estudadíssimo desacaso nas mesmas ruas, também foi produtivo. A primeira porque, durante um ou dois dias, não vou dizer que me anda a fazer falta andar mais e porque confirmou que quando andamos perdidos somos peritos em pedir informações aos estrangeiros que passam - coisa que aliás Murphy explica na perfeição da simplicidade. Desta vez não fui eu, porque depois de apurado estudo atirei certeira a pergunta a dois velhinhos que estavam poisados num banco de jardim, mas sim o incauto ao lado que, quando me viu abrandar, parou o carro e me perguntou qualquer coisa que não deixei acabar, interrompendo com um sorriso sacana, de quem se sente vingado - me gustaria mucho, pero no soy de aquí! 
A segunda porque ganhamos uma visão mais ampla de horizonte, caracterizado numa eterna miragem. Concretizo: dá-se o caso de que o estado de estupidamente perdido faz ter a certeza que aquela fonte que está ali ao fundo é aquela fonte por onde passámos há uma eternidade. Ora essa certeza, ao desvanecer-se na proximidade, transporta-se de imediato para a próxima esquina onde se desenha, convidativo e certeiro, outro iluminado ponto de referência.  Aquele Starbucks onde passámos, mas não entrámos há outra eternidade atrás. O que não sendo o facto de os gajos plantarem fontes em todas as rotundas e Starbucks em todas as esquinas, em nada dificultava. Enfim, pormenores. Até estava sol.

Moral da história desde pequenina que tenho esta fantasia que o quotidiano tem uma moral, um sentido, ao final de cada dia
Muitos caminhos podem ir dar a lado nenhum. 
Quando a natureza te bafeja á nascença com teimosia suficiente, cedo ou tarde acabas por dar com um que te leva a onde queres.
O primeiro dia do ano é um dia tão bom como outro qualquer para te perderes. Sobretudo quando pelo meio te ocorre que todos os dias tanta gente se perde de si e dentro de si e alguns, depois disso, nunca mais se voltam a encontrar.
A Lei de Murphy aplica-se a muita gente. Livra-te dos complexos existenciais.

Em jeito de nota final:
O hotel não esvaziou, mas está tããããoooo sossegadinho
Banda sonora
As saudades que eu já tinha da minha alegre casinha tão modesta quanto eu
BTW
Agora que a constipação se foi, alguém quer uma valente dor de chifres?...


9 comentários:

  1. há uns anos, em pleno verão, eu mais 3 amigas fomos fazer uma pequena road trip por (algumas) terras espanholas. estando em madrid, já depois de andar às voltas à procura de um albergue que todos nos diziam ser já ali (mas afinal não era), estacionamos o carro e resolvemos ir perguntando, enquanto caminhávamos. eis quando vemos um senhor com um colete refletor e pensámos: deve trabalhar por aqui, por isso deve saber onde é. pronta e simpaticamente disse-nos que também ía para lá e apontou-nos a direção. lá fomos e quando estávamos perto começámos a ver pessoas, sem querer ser preconceituosa, com um ar um bocado duvidoso. quando tal apercebemo-nos que sim que havia ali um albergue mas era um albergue para sem abrigo. como aquilo era no meio de uns arvoredos, bastante isolado, pirámo-nos num ápice. mais tarde foi motivo para umas boas gargalhadas.
    aqui a moral da história foi que nem sempre o hábito (coletes refletores)faz o monge. mas que houve ali um laivo de solidariedade, houve :)

    beijo e bom ano m.

    ResponderEliminar
  2. Olá!!
    Passei para divulgar o meu novo blog e para desejar um óptimo ano de 2012! :)

    BEIJINHO

    ResponderEliminar
  3. Alma,
    Viagens sem estes imprevistos são como piqueniques sem formigas. Não têm piada! ;)

    ResponderEliminar
  4. Ana B.
    Pf situa-me... qual era o antigo?...

    ResponderEliminar
  5. :) muito divertida estou a ver. Feliz ano! Bj**

    ResponderEliminar
  6. Tanita,
    Se não tivermos a capacidade de rir de nós mesmos... ;)

    ResponderEliminar
  7. O melhor da vida é rirmo-nos, com os outros, de preferência. de nós próprios também. E até um pouco dos outros, embora não fique tão bem dizê-lo.
    Gosto da parte hilariante das viagens. Saudades de viajar. Saudades de me perder e de me encontrar.

    ResponderEliminar
  8. Por mim ainda lá estava, mas ainda há quem tenha que trabalhar...
    :(
    felizmente não é o meu caso.
    :)

    ResponderEliminar
  9. Pois é, Rui! Eu também não me importava, apesar das peripécias desta ida...

    ResponderEliminar