31.10.10

Dos fins de semana prolongados

Não me canso de dizer que gosto de bastidores. De bastidores e de trabalho operacional. Gosto do fora de horas dos espaços, de lhes conhecer as entranhas e as manhas, os atalhos e os meandros. 
Trabalhar enquanto um centro comercial dorme é mais atractivo e divertido que percorre-lo com gente a acotovelar-se em dias de chuva. Depois da primeira vez - que já lá vai há algum tempo - fica-se a tratar os corredores técnicos por tu. Minados de calhas e canos, barulhos parasitas e silêncios mudos, caminha-se por estas galerias como se fôssemos familiares toupeiras. O que de inicio parece igual ganha, com o hábito, caracteristicas únicas.
Gosto de trabalho de bastidores e operacional, tanto como gosto de trabalhos solitários e silenciosos. Gosto de regressar enquanto a cidade dorme e de ouvir apenas os meus passos ecoarem na rua, no percurso do carro até casa. 
Para coroar a noite de ontem, bastava que os senhores dos bolos quentes da Ajuda não estivessem de portas fechadas. À conta da desfeita, o desejo que às três da manhã oscilava entre um macrobiótico mil folhas e uma dietética bola de Berlim, acabou por se ter de contentar com umas calóricas quatro bolachas de água e sal com marmelada caseira, antes de me resignar que era hora de dormir.

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