28.2.12

... sem nome [continuação]

E ás vezes o coração fica assim tão pequenino e apertado de uma hora para outra. Aflito. Aflito, é isso. Dizemos que sossegue. Que se tranquilize. Que não é nada. Que os dias são mesmo assim. Pequeninos na imensidão do tempo que é uma vida. Que a vida é branda, que nos espera. Que está atenta e lá á frente sorri. Que já se vê daqui o sorriso. Que está tudo mesmo ali á frente e estamos quase a virar a esquina. Mas o coração fica surdo. Tapa os ouvidos. Diz que aquilo não é nada consigo. É teimoso, o coração aflito. Obstinado, quando fica triste. E depois fica a pedir-nos bússolas e mapas e certezas e caminhos e soluções e sorrisos e braços e abraços e confissões e mãos dadas e quero-te muito segredado ao ouvido, olhos nos olhos e bocas coladas e suspiros. De tão assustado, que mimado fica. E ás vezes o coração fica assim tão aflito que não escuta mais nada, fica autista, dobra-se sobre si mesmo, balança de um lado para o outro, sem destino nem rumo. Tapa-se, protege-se, foge para um recanto escuro e fica escondido do mundo. Não faças isso, coração. Por favor, não faças. Escuta-me.

3 comentários:

  1. Brilhante, este teu texto!

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  2. Cheguei hoje ao teu blogue. Parabéns. Escreves tão, mas tão bem!

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  3. Grande texto... Um espelho dos corações inquietos que querem ser felizes...

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