8.2.12

Morada

Hoje fui áquele lugar de reencontro. Aquele onde Deus mora. E onde mora um pouco de nós. No caminho até lá encontrei o riacho, que agora vai prenho, e as figueiras grisalhas e descarnadas pelo frio. Já por lá andam andorinhas. E andam outras aves em sonoros desafios, pelas escarpas das falésias que ameaçam ruir no Verão.
Gosto de me perder por ali. Os olhos ficam enfeitiçados pelo azul dos dois elementos que se beijam sem pudor  num lugar a que muitos chamam horizonte. A conversa do mar com as rochas tem o som do espanto e afugenta-me os medos. Não sei se sabes mas as pessoas contemplativas são sempre um bocadinho pieguinhas. Comovem-se com nada e com tudo. E esta coisa de ficar a ouvir o vento a chamar o fim de dia tem esse efeito sobre mim. Esta coisa da Vida comove-me. Faz-me sorrir com uma lágrima ao canto do olho. Mas sou feliz assim, que queres tu...

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