29.10.12

Às vezes

Às vezes as pessoas confundem o sorriso com a ausência de problemas, com a falta de gente que nos tenha feito mal [ e muito ], de um bom punhado de incertezas e dificuldades tantas vezes ingeríveis, e que apesar disso não nos mantêm reféns de rancores, ódios, frustrações, recalcamentos e desalentos e tantos outros sentimentos de carga negativa.

Às vezes as pessoas confundem a forma como nos cuidamos, saímos à rua, estamos na vida e com os outros, com a ausência de pesos, dores e dúvidas, como se o cabelo desalinhado e pastoso, a roupa desengraçada e pobrezinha, o constante ar de mártir que tem o mundo em cima, fossem a marca registada das fases dificieis de cada um.

Às vezes as pessoas confundem os momentos em que dizemos já chega, não aguento tudo, com o capricho de quem tendo tanto, pode sempre carregar pela boca, porque é forte, resistente e não há mal que lhe chegue ao pêlo e se houver tem de assobiar para o lado e ser grato pelo que ainda não perdeu, em vez de com legitimidade e sensatez deitar de vez em quando contas à vida e perceber como vai o saldo entre o dever e o haver dos dias.

Às vezes as pessoas acham que sabem tudo quando na verdade da missa não sabem, nunca souberam, nem uma ínfima parte. Porque calámos, não por medo, vergonha ou vaidade, mas porque chamámos a nós a condução da nossa vida em vez de nos entretermos a procurar culpados e a apontar o dedo em busca de desculpas.

Às vezes as pessoas, porque é sempre mais fácil viver à superfície do que supor e respeitar a profundidade desconhecida das coisas, perdem-se no caminho que vinham fazendo até nós. E um dia, com tantas encruzilhadas que tem a vida, desencontramo-nos irremediavelmente delas e deixamos de ter vontade de as encontrar de novo.

Às vezes as pessoas fazem dos outros um espelho de si próprias e tomam a nuvem por Juno. Estão  enganadas e é pena. Ou talvez não 

18 comentários:

  1. As pessoas são exímias em medirem os outros pelos seus medos, pelos seus erros e sobretudo apuraram a capacidade de apontar o dedo.
    A vida dos outros é sempre tão mais fácil, os seus problemas tão mais simples, os seus medos tão mais infundados que nunca valem a pena. Talvez por isso é que muitos se calam e mostram o tal sorriso.
    Concordo muito com o que li.
    Nany

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  2. "Quem vive no convento é que sabe o que vai lá dentro".
    Boa semana. Beijos**

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  3. Não podia tar mais de acordo:))

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  4. Gostei muito. Traduz exatamente o que penso sobre as pessoas que pensam que nos conhecem. É tão mais fácil para elas pensarem assim mas enganam-se tanto... Beijinho Margarida

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  5. É mesmo isso!! gostei muito!!

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  6. AS pessoas gostam muito de falar dos outros, e te as julgarem-se pelas suas bitolas, sem terem noção de que "as telhas do telhado escondem muita coisa"!

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  7. Anónimo29.10.12

    Ai, como eu a compreendo...existem pessoas que não perdem tempo a fazer suposições sobre a vida alheia. Não tenha pena...beijinhos, Joana

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  8. É o preconceito a falar, mas só quem sabe da sua casa é quem mora nela!

    GOSTO DE TI XXXX

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  9. As pessoas acham que por mantermos o sorriso somos fortes e nada nos chega, acham que por buscarmos a felicidade nas coisas gratuitas e simples somos básicas e simplórias, acham que por sermos habitualmente fortes que nunca baixamos os braços e caímos, ou acham que por rirmos da vida nunca choramos... acham muita coisa, mas quem muito acha pouco acerta.

    Beijinhos***
    Sem achar que gosto de ti, (tenho a a certeza)

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  10. É mesmo assim.
    Não sabem, não souberam e nunca saberão.

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  11. Ó minha querida amiga, é tão verdade. Cada vez mais encontro gente que só vê o seu umbigo, para quem a vida é madrasta e uma mãe perfeita para os outros. Também estou tão cansada disso. Tão farta de os aturar...

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  12. A todos quantos passaram e comentaram, o meu obrigada.

    Nada a acrescentar :)

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  13. Voltei aqui... voltei a precisar de ler esta partilha porque é tal e qual assim.
    Tenho pena de não conseguir comentar o resto... parece que está numa nova fase, pois então um beijinho cheio de boas energias!

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  14. José,

    O teu comentário fez-me reler-me e sentir ainda mais saudades das linhas que partilho por aqui... Mas tens razão, chegou finalmente o tempo de uma nova fase, de um novo ciclo. Voltou o preenchimento de horas que me inebriam e realizam mas absorvem e cativam noutros focos.

    Obrigada por estares, por apareceres, por me leres e comentares. Não tenho visitado ninguém e tenho saudade. A seu tempo tudo retomará um ritmo diferente.

    Recebo essas boas energias de braços abertos. Sinto e sei que são genuínas. Devolvo-as, cruzando os dedos para que tudo se arrume também por aí da forma que mais desejas.

    Um grande beijinho e um até breve!

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