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14.11.12

Dear South

@Martinhal - Fev.2012


Here I go again.

[Mas ainda não é desta vez que te revejo, querida Sagres. Fica para breve, eu prometo!]

11.10.12

Manias



Gosto 
de começar os dias cedo [04h30m da manhã, mesmo!]
de ver as copas dos sobreiros a espreitar por cima do nevoeiro que cobre as planícies alentejanas, enquanto o sol espreguiça raios dourados sobre o horizonte.
das estações de serviço às horas em que apenas quem cumpre caminhos noturnos se cruza connosco.
de percorrer quilómetros à velocidade das musicas que escolho e de cantar até que a alma me doa tudo o que me apetece [afianço, não é muito traumático, desafino muito pouco...]
de falar com gente prática, pragmática e trabalhadora.
de pessoas que não conjugam a palavra crise a toda a hora.
de acreditar que todo o esforço é bem empregue na luta pelos nossos sonhos.
de arco-íris, sobretudo do significado que sempre lhes atribuo e de quando no fim de um dia essa mensagem se inscreve no céu na minha viagem de retorno.
da imprevisibilidade das horas que, ao contrário do que supunha, me permitem ao fim de mais de 600km e seis reuniões não só conseguir assistir a uma apresentação de dança da minha filha como fazer com ela uma hora de alucinado house [sobrevivendo, mas a custo, a verdade acima de tudo!]
desta energia que apesar das dificuldades a vida me reserva e sobretudo desta sede de viver.
de acreditar que tudo isto será sempre o mais importante, e que saberei ser sempre feliz, aconteça o que acontecer.

Querido Sul


8.9.12

Regressar
















@ Martinhal, Sagres, Bordeira-Carrapateira e Amado 



Regressar lá é sempre grato e duro. Regressar de lá também. 
Quando a minha filha me pergunta se um dia vamos ter um cão eu digo-lhe que sim, com toda a certeza do mundo e sei que é aqui que o teremos. E ela também.
Nasce por esta altura ou quem sabe tenha nascido há já um ano o outro filho ou filha que terei e que será seu ou sua irmã.
Saber que se pertence a um lugar quando não há raíz, memória ou laço de sangue que tenha nos vinculado a ele faz de um punhado de boas recordações colhidas em apenas um ano uma certeza absoluta. 

Regressar de lá é sempre grato e duro, mas ainda não é tempo de ficar. Com método, resiliência e muita paciência este é o tempo de preparar as malas para a viagem. Sei que, depois da partida, a estadia vai ser tão feliz quanto prolongada.

29.4.12

Hoje





Hoje deves ter estado mais ou menos assim... apaixonantemente amuado.
E eu tenho tantas saudades tuas!

31.3.12

Março




Março não foi um mês em que tenha sido muito feliz. Aliás, não se pode dizer que em Março tenha sequer  sido feliz, o que também não quer dizer que tenha sido propriamente infeliz. Assim como a felicidade é uma coisa que se constrói, a infelicidade também é algo para que nos podemos preparar, antecipando paulatinamente os efeitos e amenizando os estragos. Será mais esse o caso do mês de Março. Mas se não foi, nem um mês feliz, nem um mês infeliz, foi seguramente um mês de muita consolidação e a ainda maior clarificação. Ir mais além desta visão é ser romântico e eu, embora disfarce bem com esta mania das florzinhas, sou mais para o pragmático. Um mês é um mês, mas tem Passado. 
Trinta dias têm um principio, um meio e um fim. Este Março termina aqui. O Futuro está sempre á mão de semear.

6.2.12

Do que não me posso queixar


De que a minha vida é monotonamente previsível e tem falta de mudanças. 
De falta de elasticidade psíquica e emocional.
De falta de paciência e calma...
De falta de chá.
Não é por nada, mas acho que isto anda mais ou menos em modo de estágio, para alguma surpresa que a Sr.ª Dona Vida me anda a preparar... O Sr. Tempo dirá!

23.12.11

I will be home for Xmas


Nunca pensei dizer isto, mas este ano dou por mim a pensar que vou passar o Natal á terra.
Ponho-me a caminho, daqui a umas horas :)

20.12.11

A caminho


... ou quase a chegar. Este ano foram muito, muito menos do que é habitual, gosto e faço questão, mas estes não podiam faltar. Gostava que a M. mantivesse esta tradição, pelo menos faço por a incentivar. Escritos em Lisboa e colocados em Sagres, vão-se fartar de viajar :)

19.12.11

O { meu } lado urbano da vida



Por razões mais ou menos explicáveis e outras totalmente inexplicáveis viajei muito pouco até hoje. Aposto que se tivesse uma empregada doméstica - objeto de luxo que nunca tive, mas isso por razões completamente explicáveis que passam por não estar disponivel para pagar a alguém que faz qualquer coisa em casa pior do que eu -, com uma perna ás costas, ela já teria viajado muito mais. Em contrapartida, ao contrário de uma boa parte dos portugueses que conheço e que já viajaram o que não viajei, conheço muito bem o país em que habito, o que não sendo um feito extraordinário pelo tamanho que tem, não deixa de ser para mim motivo de orgulho. Mas vem este começo mais ou menos a despropósito do enorme significado que a vida na cidade tem para mim.
Desde muito nova, decidi que gostava de viver no campo. Não nos arredores da cidade, mas no campo, mesmo no campo, com vacas, estrume e tudo. Para ilustrar devidamente o que quero dizer, por alturas do curso tinha a certeza que quando terminasse queria ir para a zona da Serra da Estrela, comprar uma pequena propriedade entre Manteigas e a Guarda - ainda hoje sei que casa de xisto e janelas de guilhotina os meus olhos namoravam - e montar escritório naquela cidade. A verdade é que o fim do curso chegou e as razões do coração [e da bolsa] me prenderam a Lisboa e o melhor que consegui foi viver em Lisboa e ter um escritório em Sintra o que, diga-se em abono da verdade, não foi uma má troca.
Durante alguns anos, reconciliei-me com a ideia da vida na cidade e as férias e escapadelas de fim de semana longe da confusão foram suficientes para me reabastecer a alma.  Devo confessar que gosto da azáfama dos centros urbanos, de uma certa confusão de gente e de espaços, dos inumeros confortos que nos proporciona e das facilidades com que nos presenteia. Mais, a verdade impõe-se, não sou hipócrita, adoro fazer compras. Para mim, para os outros e para a casa.
Mas a verdade é que, de forma totalmente inesperada, num triplo mortal com pirueta flic flac sem mãos, desde meados deste ano a vida trouxe-me de volta á equação dos dias calmos que se vivem - e sobretudo trabalham - longe dos tumultos dos grandes centros urbanos. Hoje, apesar de ser o que tenho por mais certo dentro de um médio prazo, não me vejo a regressar á vida que deixei em Lisboa.
Hoje sei, está confirmado, que não necessito da cidade para viver ou trabalhar. Necessito da cidade para me alimentar dos meus, que tanto amo e lá vivem, de cultura, de algumas compras e nada mais. Mas a verdade é que para ter tudo isso não necessito viver na cidade. Num país sem tamanho para haver longe e distância, a distância entre tudo o que desejamos não se mede muito para além de três ou meia dúzia de horas de caminho. Vai-se, desfruta-se e volta-se, num instantinho. Sei que tenho alma de lobo solitário. Venero o silêncio. Deleito-me com todas as melodias da natureza. Vivo em comunhão com aquilo a que muitos chamam isolamento e eu chamo serenidade e qualidade de vida. Para mim é uma benção o que para a maioria representa um castigo. Mas não deixo de ser critica e de achar curiosa a qualidade de urbanos que tantos se arrogam. Não vão ao teatro há anos, vêem filmes no computador ou em DVDs piratados, contam-se pelos dedos de uma mão - e sobram - a vezes que por ano vão a um concerto, não saem á noite porque a confusão é muita e estão cansados, não saem ao fim de semana para não engarrafarem nos shoppings nem no trânsito, há anos que não vão a um museu, não fazem a mais pálida ideia das exposições que os rodeiam, não se lembram da última vez que passearam por um dos parques da cidade que habitam e adiam, semana após semana, a passagem por aquele restaurante ou bar trendy que vêem de passagem das revistas que mal lêem. Basicamente, para uma boa classe de tão convictos urbanos, a dependência da cidade é pouco mais do que ilusória e a realidade é por lá vegetam em vez de a viverem, como merece e faria sentido.
Não sei o que a vida me trará nem a curto, quanto mais a médio ou longo prazo. Mas sei cada vez melhor onde e como me arrumo na incerteza dos seus dias. Hoje sei, com tudo o que me deu até agora, o que gostava que me trouxesse e acredito isso fará toda a diferença. Sei cada vez melhor aonde pertenço, com quem e onde me preencho, no que me realizo e o que projeto para o meu futuro. 
Para alimentar o meu lado urbano - que é grande e muito vivido, sempre que posso - não preciso de um apartamento metido no meio da confusão. Preciso de ter uma vida profissional que me garanta algum conforto e estabilidade financeira, um dia a dia regrado e de preferência sem os desnecessarios consumos que a maioria das vidas das grandes cidades obriga, de um carro económico e de um aeroporto a alguns quilómetros de distância. Para mim, viver a cidade em Portugal é coisa que de tão vivida já não tem mistério. Que a vida me ajude a realizar o que longe dela projeto, para que possa viver outras grandes cidades mais vezes e mais de perto, é tudo o que lhe peço.
Viver 300 dias em paz e descanso e dividir os outros 65 por cidades a sério é o meu grande e convicto projeto de vida. Para mim, para a minha M. e para quem dele quiser fazer uma importante parte, numa vida a dois.

 

27.11.11

A complexa simplicidade das pequenas grandes coisas


Hoje, uma lua argelina, invertida, suspensa num céu desassombradamente estrelado, acompanhou toda a minha viagem. 330 km e um monólogo. Uma banda sonora. Sempre. Uma vida como a lua, suspensa. Dúvidas. Tantas quanto as estrelas. E um caminho a traçar.

24.11.11

Horizonte*


Hoje, decidi onde e o que quero estar a fazer dentro de 10 anos.
Hoje, porque o futuro é apenas uma miragem, desenhei no horizonte um projeto de vida.
Hoje. Porque todos os dias são os dias certos para decidir tornar os sonhos realidade.

* Cabo de S. Vicente, hoje, ao fim da tarde

20.11.11

Sete meses*

Em sete meses mudei sete vezes de casa a sétima acabou de acontecer antes de me sentar a escrever. Passei a percorrer 2500 km por mês e a ver a minha filha dois dias mal contados por semana.  Quebrei praticamente todas as rotinas que tinha logo eu, bicho de hábitos. Perdi o norte, o sul e uma boa parte do meus pontos de referência tantos que eu tinha... Acomodei a vida dentro de malas. Dividi-me entre emoções raramente convergentes. Realizei-me, desiludi-me, surpreendi-me, redescobri-me. Morri e renasci. Em sete meses mudei de vida e passei a conjugar a todo o tempo, em todos os tempos o verbo Mudar. Eu mudo, Tu mudas, Ele muda. Nós mudamos.
Em sete meses mudei uma vida. A minha. Dizem que este é para mim um ano de mudança. Não há como não acreditar. E eu acredito. Porque se a minha vida mudou, a minha essência não. Mesmo nos piores momentos, há alguém que me sussurra A-CRE-DI-TA. E eu respiro fundo, foco-me no que me conheço, reequilibro-me no que me reconheço, sacudo os medos ás vezes tantos!, procuro sinais no que me rodeia, fecho os olhos e sigo por onde me aponta a vida. Para onde? Não sei. Sejamos lúcidos, raramente sabemos. Mas eu acredito não tanto no que vejo mas no que sinto. Na Vida. No Amor. E em mim. 
Como um querido amigo me disse um dia, a vida é uma série de recomeços. Passaram sete meses. Sete é um numero divino. Recomeço? Venha mais este. Vida, estou aqui.


* exatamente sete meses depois, regresso á primeira casa que aqui me acolheu. gosto do teu humor e da improbabilidade da tua distração, Vida.