4.2.11

Eu e as minhas ideias geniais...

Como faltavam duas horas para a sessão de cinema começar e não me apetecia ficar a besourar nos saldos e avanços de colecção até cair em tentação e não me livrar do mal, pensei cá de mim para quemim: então porque não vais tu, minha filha, aproveitar já para afiar a garra e passar o esmalte, que assim amanhã de manhã é menos uma pena que tens de cumprir, juntas o útil ao desagradável e sempre fazes tempo. Achando-me brilhante, se bem pensei, melhor o fiz, e lá fui eu ser torturada pelo bronze imoral que a jovem brasileira tinha trazido das férias em casa, mais as cores lindas da estação que se avizinha, mas que ainda não tenho coragem para passar. Despachadinha  que fiquei, ao fim de um ror de tempo, lá fui eu para os armazéns, com meia hora de folga. Perfeito. Ou melhor, perfeita. Perfeita a mer... caca que arranjei. As quatro filas nem eram bichas, eram mais quatro lombrigas do Entroncamento que me fizeram logo antever o fim do filme. O da minha 6ª F, é claro. Ao fim de 28 minutos, tinha percorrido meio caminho até à bilheteira. Restavam 33 bilhetes o que é o mesmo que dizer que, sem lugares marcados e com o filme  a começar daí a dois minutos, o melhor que se arranjava era um lugar com o filme ao colo, que como todos sabem é coisa que rima com torcicolo. Deitando os olhinhos suplicantes ao quadro actualizado, que ajuda a tornar a marcha fúnebre até à bilheteira num verdadeiro thriller, ainda nutri a pueril esperança de ir conhecer o homem dos meus sonhos. Nem isso. O sacana já tinha fechado a sessão com cerca de 160 outros pretendentes. Posto isto, e porque faz parte da minha natureza ser rápida a tomar decisões em momentos dramáticos, dei meia volta ao burro e fui escolher um severo castigo com que me fustigar, entre as prateleiras dos diversos andares. Corrigida a minha imprudência com um três pares de brincos não, mãe, ainda não tinha estes! - em que gastei menos que o preço do bilhete que ia comprar - saí dali rapidamente, com receio de me castigar demasiado. 
Agora, depois de duas torradinhas em pão de milho e girassol acompanhas por um Nesquik de pacote e uma máquina de roupa lavada, vou para a caminha fazer de conta que não se passou nada. 
És tão inteligente, Ana Margarida. Até comove!

6 comentários:

  1. Isso é o que se chama não ter sorte...o que ainda valeu a pena foram os brincos;)!

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  2. Olá Bom dia, minha querida!
    O meu dia não se apresentava lá essas coisas para hoje, até passar por aqui e chorar a rir com a descrição da sua ida ao cinema e do(s)filme(s)que não viu!"O homem dos teus(nossos) sonhos?" anda com uma saída danada!!!
    Parece que anda tudo ao mesmo!!! ahahahahahahahaaaa
    Pelo menos o meu dia já valeu a pena!
    BFS
    Beijo amigo
    L.

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  3. Querida M,
    Que relato tão divertido e bem contado. Por acaso quando vou ao cinema a primeira coisa que faço é comprar o bilhete. Depois vou descansadamente às minhas voltinhas. Sei que agora já não vale de nada dizer isso. Mas olha isso deve ter acontecido por alguma razão. Agora vais tentar ir novamente e vais ver que vai ser melhor (com cinema incluído).
    Percebo perfeitamente que neste momento não tenhas disponibilidade para ter um gato/a. Aliás a Sol está em casa dos meus pais, é melhor para ela, tem companhia durante o dia todo. Em minha casa estaria muito tempo sozinha. Sabes ela chama-se Sol, pois foi acolhida no estacionamento daquele ginásio que nós conhecemos ;) Mas é um lindo nome.

    Beijocas*****

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  4. B. Cérise,
    Acredita, acho que não ter sorte é outra coisa. quando nos pomos a jeito, como foi o caso... ;)

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  5. Levikat :)
    Valha-me esse consolo, de a ter feito rir!
    Ainda tentei um café hoje á tarde, mas tinha o telem. desligado...
    Beijo e bom resto de fim de semana

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  6. Querida T.
    Faço sempre assim e até ontem nunca me dei mal. O que acontece é que já cheguei muito em cima e ontem parecia que meia Lx tinha caído no ECI.
    Pois aconteceu: vou ver na 2ª que é mais barato ;)
    Mais ano menos ano volto a ter um bichano. É certinho!
    Beijo grande

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