Gosto de bons dias. Gosto da sonoridade das palavras roucas acabadas de
acordar, a que se seguem sorrisos enfeitados pelas estrelas mal adormecidas. Bom dia! É um brinde ao
dia, uma ode à vida, um sinal de gratidão, por mais um amanhecer. Gosto de
amanhecer contigo. Dos teus olhos castanhos como o carvalho daquela casa que
nunca tivemos, mas que sonhámos juntos e que me sorriem olá quando te digo bom dia.
Ficas-me na ponta dos dedos, mesmo que eles não te percorram. Agendas-me as
horas seguintes de pequenos encontros com a felicidade. No cheiro do banho, do
creme que a seguir me amacia a pele recém-dourada, nas torradas que por vezes ficam esquecidas e
queimam, no café de saco que cheira a férias e a hotel. Falo pouco e tu estás
sempre calado. São sempre assim as nossas manhãs. Mudas, mas de certezas
entranhadas nos poros, enquanto a vida se ajeita e enfeita, são os braços
entrelaçados frente ao espelho que falam. E é tão bom ser bom dia contigo,
amor.