18.5.13

1-2-3 Bolo de limão e sementes de papoila



Tão fácil como contar até três. 
Simples e delicioso.

A casa a cheirar a bolo, muito sol nos intervalos de alguma chuva e um resto de dia para aproveitar. 
Não é preciso muito mais para saborear uma serena felicidade.

A Felicidade não tem receita mas é feita com os ingredientes mais simples. Cada um sabe o que juntar!


17.5.13

3-2-1

Contagem decrescente para o fim de semana. E uma vontade doida da experimentar uma receita.

Porquê?
Porque é simples, como acho que a melhores coisas da vida são e devem sempre ser.
Porque é da Sofia, com quem tenho uma cumplicidade bonita há uns bons anos.
Porque pinta de Amarelo Limão um fim de semana que resiste à cor Amarelo Sol.

E porque me apetece o cheiro de bolo acabado de fazer, aninhado nos quatro cantos da casa.

Happy Cake
Happy Weekend!


16.5.13

White is a peaceful place to live & love | 42






Este é um dos meus lugares favoritos dos últimos tempos. No meio da cidade a onde não pertenço, são lugares como este que me fazem ficar mais perto de quem sou, mais perto daquela que é a minha casa
A propósito dele podia falar sobre paz de espírito e boas energias, mas as imagens falam por mim. Só é pena que não reproduzam o animado coachar de rãs que povoam o riacho que corre silencioso e os pássaros que, à desgarrada, cruzam o ar com as suas melodiosas sinfonias. 

9.5.13

Dia da Espiga




Embora a tradição seja acarinhada e mantida na família, este foi o primeiro ano em que apanhei a espiga. Apanhei para mim, para a família e para os amigos e, ao contrário do que imaginava, nem foi assim tão difícil encontrar num perímetro relativamente pequeno tudo o que um ramo deve levar. 

Exceção feita à videira - que representa o vinho e a alegria -, a minha espiga cumpriu toda a simbologia que a caracteriza: a espiga, que representa o pão, os malmequeres amarelos e brancos, que representam o ouro e a prata, a papoila que representa o amor e a vida, a oliveira que representa o azeite e com ele a paz e a luz já que antigamente o azeite era usado nas candeias das casas para iluminar, e o alecrim que representa a saúde e a força.

Ao lanche, para celebrar, tivemos pão com sementes de papoila que acompanhámos com um belo sumo de laranja do Algarve. 

... Saudades do meu Sul?... Tantas, que nem dão para contar!


E já agora, como fundo deste Maio que adoro, a sonoridade que esta querida me ofereceu hoje, por outras paragens :)


8.5.13

Bons ventos


O nosso capricho chama-lhe incómodo mas, excepto quando se zanga, o vento é um invisível aliado, um grande arquiteto do mundo, tal como o conhecemos.


7.5.13

A velha casa e a grande árvore


A velha casa é uma casa grande, bonita, que imagino espaçosa. É uma casa com ar de casa abastada no campo, da província, de família numerosa. 
A grande árvore é uma árvore gigante, um pinheiro escandinavo, orgulhoso, de cujos anos se perde a conta.
A velha casa e a grande árvore cruzaram o meu caminho durante três anos, no trajeto da camioneta que  me levava de casa para o liceu. Na altura - já passaram muitos anos - a velha casa não era tão velha, não estava degradada e ainda era habitada por gente. 
Hoje, a velha casa e a grande árvore continuam a cruzar-se comigo com frequência, porque ficam no caminho que faço para ir buscar a M. ao ginásio que frequenta. Ficam numa rua onde só moram prédios, porque há muito tempo que o campo que aqui morava acabou. Hoje, dentro da velha casa só habitam silêncios.

A velha casa e a grande árvore têm instalada no seu generoso terreno uma ameaçadora placa que diz «VENDE-SE». 
Sempre que passo por elas, temo e tremo pelo dia em que a placa for cruzada por uma tarja a dizer «VENDIDO». Sei que nesse dia, em nome do preço do metro quadrado, a velha casa será reduzida a pó e a grande árvore, essa senhora de grande e honrado porte, será abatida como uma planta daninha, como uma presença incómoda, como um estorvo a uma grande edificação.

Na semana passada fiz-lhes uma visita mais demorada e tirei-lhes retratos, para lhes fazer justiça. 
Um dia destes, quando a sua história de amor terminar, é aqui que venho fazer-lhes uma visita.










5.5.13

Mãe & Filha











Somos muitos diferentes em algumas coisas e não estamos sempre de acordo. Discutimos muitas vezes e esgrimimos argumentos até ao limite das forças. Ela diz que eu sou chata, que grito, que ralho muito, que passo a vida a embirrar com tudo o que faz ou não faz. Eu digo que ela é desarrumada e cabeça de vento. E tudo é verdade. E tudo é um pouco exagero. Serei chata por vezes (muitas vezes?), mas o termo mais correto é exigente. E o que talvez ela ainda não perceba - ou vá percebendo, apesar de tudo, ainda que não assumindo - é que o meu grau de exigência nem é assim tanto. O do dias de hoje, em relação a tudo e todos, é que é muito fraco. Mas não lhe exijo que seja aluna de quatros e cinco a tudo, nem sou intransigente com algumas negativas (imagine-se!). Tenho a certeza de que não somos bons ou excelentes a tudo e que o caminho dos bons profissionais se faz muito pouco dos melhores alunos. Sou muito mais intransigente com a responsabilidade adequada à sua idade, com a verdade e com o valor dos compromissos. Acredito que assimilados que estejam esses valores e praticados, por ambas as partes, no dia a dia, tudo o resto vem por acréscimo. 
E a ser honesta - digo-lho recorrentemente - ela  de desarrumada até tem pouco. Primeiro porque não lhe dou grandes abébias, é verdade, mas sobretudo porque conheço bem o que é a verdadeira desarrumação de outros. Mas lá cabeça de vento... (mudará?).

Na realidade, para além das saudáveis diferenças que nos separam e da serena certeza que reina em mim, de que uma mãe não tem como missão ser a porreira da casa - ou como diria Eduardo Sá, todas as boas mães são suficientemente más - temos uma cumplicidade imensa e muitas vezes só por nós perceptível. Falamos a mesma linguagem e sentimos a vida com a mesma intensidade. Amamos a natureza e somos atentas aos pequenos detalhes que a tantos escapam. As nossas asas foram feitas para voar e talvez por isso nos reencontremos tanto na música e na dança. 

A minha adolescente é uma menina-tesouro. Na minha maternidade, a Vida não podia ter sido mais generosa comigo. Verdade! 


* a primeira imagem é da pulseira que hoje me ofereceu; a última, do presente que recebi da minha mãe.




Da Mãe


Quando eu era pequenina a minha mãe sufocava-me com beijos e eu, que até sou dos beijos e dos abraços fazia-me de cara e de arisca.

Quando eu era pequenina achava as roupas da minha mãe o máximo e sempre que podia, vesti-as às escondidas.

Quando eu era pequenina eu era a princesa da minha mãe e a minha mãe era a minha rainha.

Quando eu era pequenina a minha mãe queria proteger-me de todos os males do mundo e eu, curiosa e corajosa, queria conhecê-lo pelos meus pés.

Quando eu era pequenina olhava para a minha jovem mãe e achava-a muito crescida e hoje olho para a minha mãe e ainda vejo uma menina.

Quando eu era pequenina fui desejada, amada e protegida e hoje muito do que fui e sou, à minha mãe o devo.

Obrigada, Mamã! 
Este também pode ser o teu dia.