11.11.13

Decoração low cost


Nada melhor do que aproveitar a época da poda dos jardins públicos para decorar a casa com fartos ramos de flores sem fazer despesa nenhuma.

Hoje, depois de uma mini corrida e caminhada matinal que os 43 que estão próximos andam a fazer sentir os seus efeitos a passos laaaargos! aproveitei para encher as jarras da casa, e as da casa da mãe, ela é que ainda não sabe! com frondosos ramos de bagas em tons de azeitona e branco, tudo acabado de cortar pelos jardineiros de um município. Não têm perfume mas são muito resistentes e não se desmancham com facilidade. Como de costume, de caminho, dei boleia a umas quantas aranhas e sabe Deus se a mais alguma coisa que ainda não tenha dado o ar da sua graça. Nada que não se resolva com uma nova casa, nos vasos exteriores, com vista do 5º andar sobre a cidade. Um luxo e um claro upgrade na vida dos queridos bichinhos! 

9.11.13

Sabia




Sabia que ia ver o Tejo espelhar todas as nuances do céu de Novembro. Sabia que ia espreitar lugares novos e cruzar-me com lugares de sempre. Sabia que ia ter vontade de fotografar tudo isso. Como sempre.

Mas sabia também que hoje o dia, pelo sol e pelo estado de espírito pedia uma caminhada. Uma longa caminhada. E deixar o carro ao pé do Museu do Oriente e caminhar até ao Chiado e Príncipe Real pedia, mais do que leveza de espírito, leveza de bagagem. 

Quando os combustíveis estão ao preço do ouro, qualquer nesga da capital tem estacionamento pago e S. Martinho nos brinda com uma temperatura de 20º não há razões para não desfrutar dos nossos próprios passos.

Além disso, num fim de semana em que, como tantos outros portugueses, uma amiga regressa de Moçambique com os seus três filhos deixando por lá novamente o marido a que se tinham ido juntar há ano e meio, e em que temo por outros amigos que, por necessidade e não por estrita vontade, ainda por lá vão estar, é impossível não ser grato por apesar de todas as dificuldades termos um país onde se respira ordem , segurança e paz.

Do roteiro que se fez sem registo fotográfico, resultaram: 
5h bem caminhadas e aproveitadas, praticamente sem paragens;
Uma túnica, brincos e colar a serem estreados no Natal ou no aniversário - ainda não está decidido e são tão próximos que tanto faz.
Uma estrela - para quem há tantos anos é fã de estrelas, corações, pintinhas e bolas, estamos decididamente numa época de ouro!
Chá Princesa, mistura de Erva Príncipe com Perpétuas Roxas, por causa das tosses, dizem os entendidos. 

Tudo a preços lowcost, muito abaixo do que seria de esperar, tendo em conta os spots onde foram comprados. 
No fim do dia, feitas as contas à vida, ocorre-me o slogan conhecido - se eu não gostar de mim, quem gostará?


- parte do roteiro -


Embaixada - só o espaço já vale tudo e é bom ver Lisboa crescer e respeitar-se

Cone à portuguesa - não é novo mas ainda não tinha experimentado 
recomenda-se, nem que seja pela originalidade

Chocolataria Equador - chocolate artesal, do Porto para Lisboa
porque chocolate é sempre um bom presente

Some clothes



some clothes make us feel like princesses

- bom dia, luz de Lisboa. até já! -

7.11.13

Viseu



Não visitava Viseu há cerca de três anos e o reencontro foi triste. Além das casas senhoriais e brasonadas como esta que estão entregues à sua má sorte, o comércio tradicional e tantas outras referências emblemáticas da cidade têm as portas fechadas. Mas, afinal, nem sempre o mal é da famigerada crise, fico a saber por duas irmãs que atendem numa das poucas lojas de sempre que encontro aberta - uma drogaria tradicional que me lembro desde a mais tenra infância. Afinal, a maioria das portas fechadas daquela rua - e de outras tantas - é responsabilidade dos seus proprietários, gente demasiado endinheirada para se dar ao trabalho de fazer as obras necessárias nos imóveis onde em muitos casos chove... 

Viseu, como esta digna casa de nobre granito, morre às mãos de quem a possui.

Há algum dicionário que explique o léxico deste território com nome de país? Haverá algum dia limite para o nosso incomensurável provincianismo?

5.11.13

Urze*

 


Essa doce e delicada flor silvestre que gosta de recantos sombrios e terra húmida. Esta, veio comigo da Serra.

*e o meu novo oratório-estufa.

3.11.13

Tic Tac Tic Tac *



O relógio de cuco está prestes a cumprir quarenta anos. Foi um presente de aniversário do meu avô Fernando nos meus três anos. Muito do meu ritmo de infância foi marcado pelo compasso do seu pêndulo, que se sobrepunha às brincadeiras no meu quarto, e pelo pontual e implacável cu-cu, que assinalava as horas e que só era silenciado à hora em que o sono e os sonhos se recompunham entre a almofada e o hedredon.

O casaco tem perto de vinte anos. Vestido vezes sem conta por essa altura e durante uns anos. Resgatado  agora, ocasionalmente, da gaveta das peças de coleção. De uma marca que já não existe mas de uma qualidade resistente e irresistível.

Os sapatos contam entre oito a dez anos. A paixão pelos cogumelos é uma história antiga. Pelas peças de cunho austríaco também. A sola está tão nova que ainda deixa marcados no chão o coração e passarinhos que a decoram na borracha.  

A Marie Claire Idées, companhia e companheira de mil suspiros e inspirações, há tantos e tantos anos que já lhes perdi a conta.

O tempo passa e muita coisa muda. Há coisas que nos mudam e coisas que nós mudamos. Mas há um lado intemporal da vida, que fazendo parte de nós, apenas se adapta ao tempo que corre. Há uma parte de nós que é intemporal. Chama-se alma e caminha connosco. Há um fio condutor que a traduz.

* E esta música no