26.11.11

Natal


A minha mãe sempre gostou muito do Natal. A minha mãe que sempre gostou muito do Natal cultivou em mim a magia do Natal. Não aquela magia que dura meia hora, que é o tempo de abrir presentes, tantas vezes comprados na que a antecedeu. A minha mãe, que sempre gostou muito do Natal, fez-me sempre viver a magia do Natal que se decora, no mais pequeno detalhe, mas que se prepara e vive, sempre, com o rigor que nos merece um grande amor. A minha mãe, que sempre gostou muito do Natal e que há quatro anos não me vê fazer a árvore de Natal, tem medo que eu deixe de gostar do Natal. Mas mais do que me ver deixar de gostar do Natal sei que a minha mãe tem medo de me ver deixar de gostar daquilo que sempre nos ligou ao Natal. A minha mãe, que ama o Natal, e que me pressente afastada do Natal, comprou-me ontem um pinheiro. Não houve, até este ano, nenhum Natal em que eu não fizesse a árvore de Natal da minha mãe, sempre, categoricamente, no dia 1 de Dezembro. Este ano, pela primeira vez, porque a vida assim o impõe, não o farei. 
A minha mãe, que sempre gostou muito do Natal e me fez crescer com o mesmo sentimento, comprou-me ontem um pinheiro na esperança que eu nunca deixe de fazer Natal. O meu Natal está feito e ficou lindo, querida Mãe. Apesar do meu Natal ter deixado de se parecer tanto com o teu Natal precisas acreditar que o Natal nunca vai morrer em mim no que ele É. Acreditar que é no Amor que nos construímos, na Partilha que nos melhoramos e na Família que escolhemos que nos cumprimos.
E se é verdade que de cada vez que volto a esta casa cada vez menos a ela regresso, onde quer que a vida me leve, querida Mãe, haverá sempre dentro de mim um lindo e doce Natal. Como este que ontem me ofereceste. Como aquele que sempre me ensinaste. 
Vai haver sempre Natal dentro de mim. Acredita.

2 comentários:

  1. Estou a adorar estes posts carregados de palavras sentidas :)

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  2. E é tão bom sentir o Natal assim :)

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