28.9.14

Às vezes

Às vezes havia tantas palavras e tão grandes que batiam umas contra as outras e  resvalavam para as pupilas que brilhavam. Atropelavam-se, para ser cada uma a primeira, a mais importante, a que queria resumir tudo, num só som, de uma só vez. Decididas estavam. Mas depois, depois a ditadora boca comprimia-se, a implacável razão censurava e o turbilhão das palavras rodopiava para um canto escondido da alma e ficava, em silêncio, a observar-te.
Às vezes. Às vezes tu ficavas. Nem tudo afinal precisa ser dito.

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