22.6.11

Ciclos de vida

Há algumas horas atrás tive um pouco de Primavera nas mãos. Uma cria de andorinha, indefesa e tranquila, ignorante do que mãos humanas são capazes de fazer quando o amor não é linguagem nos gestos que falamos, incapaz de voar, deixou-se apanhar, deixou-se estar, deixou-se mimar. Entre o que o coração me pedia e o que a razão me ditava, acabei por a devolver ao habitat de onde a retirara.  Ao vê-la esvoaçar infrutiferamente, pelo asfalto de uma estrada que rapidamente a conduziria a outro destino, imaginei que estava ferida. Ao levá-la para lugar seguro sem que oferecesse resistência ou sequer piasse, percebi afinal que era apenas uma vitima das leis da Natureza que,  apesar da dura crueza com que se resolve e sustenta, sabe o que faz. O esforço de adaptação de quem nela se move tem de ser constante, porque é constantemente solicitado. Não falo de andorinhas, falo de todos nós.
O Amor que me liga á Vida quis tomar a Primavera nas mãos... Mas é preciso cumprir o ciclo das estações, o ritmo que marca o nascimento, a morte e a renovação.
Por morrer um andorinha não acaba a Primavera...quer queiramos quer não, a Primavera acaba com o Verão.

1 comentário:

  1. :)

    estou com tanto sono que não consigo escrever mais nada, só o meu sorriso para ti, preto e branco, cor de andorinha...

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