28.12.14

Um passeio no campo


Fica dentro da cidade. Muito poucos o conhecem. Eu própria só o conheci pela mão de uma amiga, a mesma com que mais uma vez o visitei. Pessoalmente, o que mais me impressiona nestes espaços é encontrá-los vazios de gente. Se é bem verdade que, num puro espírito egoísta, sabe muito bem percorrer estes caminhos sem outra companhia que não seja a que escolhemos e a da natureza, não deixa de causar apreensão a recorrente constatação de que os portugueses pouco ou nada desfrutam da vida ao ar livre fora do Verão. Mesmo sabendo que é inquestionável o apelo das temperaturas mais quentes ou amenas para programas destes, falar de um frio inibidor em Portugal, mesmo em pleno Inverno e como argumento para não o fazer, chega a parecer ridículo. Na esmagadora maioria dos países da Europa, por esta altura há muito se fazem sentir temperaturas negativas e, numa boa parte deles, é culturalmente natural continuar a usufruir da vida fora de portas da melhor fora possível. Mas aparentemente para nós, privilegiados portugueses, abençoados com temperaturas amenas e um índice de pluviosidade que, à exceção de casos pontuais e perfeitamente naturais, pouco ou nada inibe, parecemos talhados para encontrar sempre uma boa desculpa para ficar em casa ou rumar até à grande superfície mais próxima. E não terá mal, desde que seja uma escolha consciente e uma preferência clara. Mas culpar o estado do tempo por isso é que no mínimo é batota e no máximo uma grande mentira.

Para quem não conhece, fica então o desafio para conhecer a Estação Agronómica de Oeiras. Quem tem crianças pequenas, provavelmente, já foi alguma vez convidado para uma festa de aniversário no seu recinto, junto ao Centro Hípico. O que provavelmente não sabe é que para além desse espaço existem muitos hectares que podem ser percorridos, entre vinhas, vastos pastos habitados por cavalos, e um lugar mágico que parece o abandonado Jardim do Gigante Egoísta e que fica junto à chamada Casa da Pesca, onde o Marquês de Pombal - aliás, o dono e senhor de todo aquele vasto território - se deslocava para trocar de roupa para ir pescar na ribeira contígua. Reza a história, que a mesma casa teria outra nobre serventia: travar conhecimento mais próximo com algumas senhoras da corte... linha e anzol, já tinha!
Se vivem perto, não hesitem. Como se pode avaliar pelas imagens partilhadas, o Inverno oferece encantos que o Verão não conquista.

5 comentários:

  1. Adorei as fotos. Bom ano!

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    1. Muito Obrigada, Carmela! Bom ano! :)

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  2. Que sítio maravilhoso... A entrada é livre? Pode entrar-se sem ser pedida autorização?

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    1. Anita, antes de mais, que gosto em rever-te!
      Sei que esta estação tem pelo menos duas portas de acesso. Uma, a dita principal, que creio que tem porteiro, porque dá acesso aos edificios oficiais lá sediados, outra, aquele por onde entro sempre, "nas traseiras" - do lado da zona do Arneiro (para o caso de conheceres a zona) - que tem portão e qua não sei sequer se chega a ser fechado, mas calculo que sim. De qualquer forma, quanto à tua questão especifica, o acesso é livre. Não se tem de pedir autorização nem pagar seja o que for (pelo menos por enquanto!)
      Um beijinho!

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    2. Obrigada Margarida! ☺ eu ando sempre por aqui ou ali pelo facebook, a admirar os belos registos fotográficos que fazes ☺
      Não conheço a zona, mas como gosto de andar na passeata e descobrir sítios novos, vou procurar e agendar uma visita, antes que o tempo mude (e neste caso, refiro-me mudar para mais quente, porque depois com as flores sou capaz de me dar mal com o "pasto" eheheh)
      Obrigada pelas dicas deixadas ☺ beijinho

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