25.2.10

É para responder?


O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, justificou ontem a cedência de mupis da autarquia à associação ILGA Portugal - Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual e Transgénero com o caráter cívico da campanha pela não discriminação dos homossexuais.

A questão foi levantada na reunião pública do executivo municipal pelo vereador social democrata Pedro Santana Lopes, que considerou que faltou "bom senso" a uma campanha que aparece "com o cunho da Câmara".

Os cartazes mostram uma mulher e uma criança e a legenda "Se a tua mãe fosse lésbica, mudava alguma coisa?".

"O que me fez impressão naquela campanha é o facto de ser dirigido às crianças", afirmou Santana Lopes, relacionando a campanha com o tema da adoção por parte de homossexuais, não prevista na lei que aprova o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, já adotada pelo Parlamento.

António Costa argumentou, contudo, que a campanha em causa "não tem nada a ver com a adoção" por parte de casais homossexuais. "Tem a ver com a não discriminação e chama a atenção para o facto de, independentemente da adoção, haver pais e mães homossexuais", disse.

"É uma campanha pela não discriminação, não me parece que suscite particulares questões", frisou o autarca.

António Costa explicou que as estruturas da autarquia para os mupis são usadas para "mensagens próprias do município", para promoção de actividades culturais, quer promovidas pela Câmara quer por outras entidades, e para "qualquer campanha de carácter social e cívico".

Foi neste âmbito que foram cedidas à ILGA, explicou, "sem custos" para a autarquia na campanha. "A contrapartida é a inclusão do símbolo do município [nos cartazes], sem custos. O município apenas disponibiliza o espaço", informou.

O grupo do PSD na Assembleia Municipal de Lisboa entregou na terça feira um requerimento questionando a Câmara sobre as condições do apoio camarário à campanha.

Para o presidente do grupo municipal social democrata, António Prôa, não basta apenas questionar os valores e as condições do apoio camarário, mas também a possibilidade de a iniciativa servir de "carta de intenção" para uma eventual tomada de posição do PS na Assembleia da República.

"O que mais nos preocupa é o que isto significa em termos de estarmos ou não a preparar o caminho para um próximo passo, que é a adoção por casais homossexuais", afirmou o responsável, para quem a campanha remete para a defesa deste direito "sob a pretensão de uma mensagem anti-homofobia".

Fonte: Lusa


Quando em tantos países, inclusive no Brasil - que recorrente e arrogantemente gostamos de considerar terceiro mundo - há muito se debate a legalidade da publicidade direccionada a crianças, Portugal, com o apoio do Estado, promove campanhas que no mínimo- e porque hoje estou de muito bom humor- me apetece classificar como inspiradas.


À pergunta, mesmo, só me ocorre uma resposta:
Se a minha mãe fosse realmente lésbica eu estava aqui para responder?


E já agora, esta coisa chamada Portugal fica mesmo em que planeta?


6 comentários:

  1. Fiquei na duvida... és contra?
    A campanha?
    A adopção?
    Ambas?

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  2. Sou contra a imbecilidade e a favor do bom senso.
    Respondi?

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  3. Não!

    Sorry! Estou lento... São só 14 horas de sono esta semana...

    Mas referes-te à campanha? À posição da camara? À adopção? À campanha como está feita? À camara ter apoiado?

    Para mim soa a que és contra... qualquer coisa. Mas não percebo que qualquer coisa é essa...

    :(

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  4. Miguel,
    Na minha opinião a campanha é completamente idiota.
    1º Não vejo necessidade de fazer outdoors para falar de homosexualidade. Enquanto os homosexuais continuarem a achar que têm de se afirmar continuam a partir do principio que fazem parte de um mundo à parte.
    2ºNão encontro qualquer fundamento para uma Camara Municipal - esta o outra - ceder gratuitmanete o seu espaço para este fim. Porquê, isto é um evento cultural? A orientação sexual a que cada um tem direito é uma espécie de folclore ou festival de Verão? Não chego lá. O que é que a CML pretende comunicar ao fazer questão de colocar o logo da cidade num mupi destes? E seus os gays são patrocinados, quer dizer que também lá posso ir pedir um mupi se me apetecer perguntar: e se depois do divércio o teu pai não fosse só pai de 15 em 15 dias, não eras mais feliz? Sei lá, já que é para perguntar coisas importantes às criancinhas, talvez haja outras que lhes interessem mais, em primeira linha.
    3º Parece-me uma forma absolutamente absurda e reprovavel de fazer campanha pela adopção homosexual. E quanto a isso, independentemente da minha opinião que não vem ao caso, envolver a imagem de uma criança é um grave e primeiro sinal de imaturidade para inicio de abordagem da questão.
    Já agora, se a intenção é chocar a sociedade - que logo por si explica a forma como uma grande parte da sociedade gay olha para si ao espelho - deviam fazer outra pergunta, mais assertiva: e se o teu pai fosse lésbica, mudava alguma coisa?
    É que a pergunta que os fdp fazem às criancinhas é, já por si, falaciosa!

    E não me peças para dizer mais que não tenho a tua pachorra para alongar explicações, até á eternidade :)

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  5. Foi suficientemente resumido? Ou alonguei-me?

    ;)

    És grande, sim!

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