19.8.10

Das razões para sorrir

Vinha do fundo do corredor. Não tinha mais de 4 anos. Desfilava empoleirado em cima do transporte de soro, empurrado pela mãe, e ambos sorriam.
- Olááá, bom dia! - exclamava com uma voz genuinamente feliz a mãe, enquanto entreabria a porta de um dos quartos que se espalhavam pelo corredor.
Do fundo do corredor, no lado oposto, ouvia-se em tom de felicidade e agrado:
- Olha! O Afonso já cá está! Então? Já acabaste o isolamento?
E o Afonso e a mãe sorriam, de sorriso largo, inteiro e feliz, tão feliz como a luz que irradiavam do olhar, e acenavam a cabeça, dizendo que sim.
Foi a terceira vez que entrei num Serviço de Pediatria do IPO.
Ao abrir-me a porta de acesso condicionado por cartão, uma das auxiliares saudou-me com um afável Bom dia, mãe. Ali, todos são pais e mães.
Foi a terceira vez que entrei num Serviço de Pediatria do IPO. A terceira vez, por motivos profissionais.
Este foi o meu começo de dia. São os Afonsos, e as mães dos Afonsos desta vida, que nos fazem ter a certeza que, no matter what, só temos razões para sorrir.



5 comentários:

  1. É verdade querida M.... muito verdade!

    Um sorriso largo para ti***

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  2. Concordo contigo, são os Afonsos desta vida que, nos fazem acreditar que esta vida, (às vezes) vale a pena...
    Bj**

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  3. Trabalhar com crianças enche-me a alma.Bom trabalho para ti e muitos sorrisos :-)

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  4. Sofia, querida.
    No caso não se trata de um trabalho com crianças, mas para elas. Se o projecto que tenho a cargo se realizar, darei noticia disso por aqui. Mas esta é a área onde, sem dúvida, mais gosto de trabalhar: cuidados.

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  5. Ah, ficarei atenta, estou curiosa. :-) Tenho a certeza que será algo nobre, é assim! Beijos

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