6.6.18

Rita Rito ✩ Emigrante e Mulher Guerreira

Há muitos, muitos anos, foram os nossos blogues que nos juntaram. Durante algum tempo fomos, à distância de posts e comentários, acompanhando a vida uma da outra, até que, um dia, com o abrandamento da presença de ambas nesta rede social, o contacto se perdeu.

Algum tempo mais tarde, algures por 2013, emoldurado em detalhes que não recordo com exatidão, deu-se um reencontro virtual. De lá para cá, não nos largamos mais e, recentemente, com a ajuda de facebook e do instagram, o contacto é quase diário.

Temos até hoje adiado um abraço redondo e apertado. Apesar de tudo sabemos que, de dia para dia, esse abraço demorado está cada vez mais perto de acontecer.

A conversa de Junho é uma conversa muito diferente de todas as que a antecederam. Pela ausência de proximidade física, pelo facto de as fotografias terem sido enviadas por si (lindas! obrigada, minha querida!) e, muito, muito, pelo especial foco que foi dado a uma fase da vida desta minha última convidada. 

Por todas as razões do mundo, sinto-me imensamente honrada e grata por ter aceite imediatamente o meu convite.

Rita Rito, é a (doce)  Senhora que se segue.




És uma Mulher do Norte (gosto tanto das Mulheres do Norte!). Tens Braga por berço e hoje vives na Suíça. O que é que motivou esta mudança? Há quantos anos te mudaste? Fala-me um pouco do que aconteceu e mudou na tua vida nestes últimos anos.

Vivo na Suíça há 6 anos, 6 longos anos. Costumo dizer que emigrar aos quarenta, tinha 38 anos na altura, não é a mesma coisa que emigrar aos vinte, trazes toda uma vida contigo.
O real motivo da minha mudança foi o mesmo que leva tantos Portugueses a deixar a sua casa: pura necessidade. A verdade é que uns anos antes já cá tinha estado, mas não aguentei mais de 6 meses longe dos meus filhos. Voltei a Portugal numa tentativa de “recuperar” uma vida que há muito havia perdido e nessa altura entra o nosso país na dita crise...
Estive mais três anos por Portugal, quase sempre com trabalho, mas numa situação precária, de contratos a termo ou recibos verdes, com renda para pagar e dois filhos. 
Não foi de todo fácil, aliás, confesso que foi o meu filho mais velho que me incentivou a voltar à Suíça. 



Como foi a adaptação? Presumo que os suíços sejam muito diferentes dos Bracarenses. 

A primeira vez que saí de Portugal estava numa relação com o Miguel, com quem casei o ano passado, e que tem sido o meu apoio nestes últimos anos em tudo. Foi fundamental para mim ter o Miguel ao meu lado porque de facto a Suíça é muito diferente de Braga. A saudade é uma coisa muito nossa e tão difícil de gerir, os primeiros tempos foram duros. Os meus filhos são a minha saudade mais difícil e também a melhor. Ao mesmo tempo, são a força que precisei para aguentar e adaptar-me.
Como agora eles também são adultos é um bocadinho menos doloroso, mas sinto a perda de cada chegada e partida. Estas perdas transformaram-nos, acredito que este afastamento os ajudou a crescer mas, bem no fundo de mim, sei que os marcou, marca e marcará para sempre. É uma estranha forma de vida esta, no entanto, são estes filhos que me dão a força que preciso para continuar, espero também eu conseguir dar-lhes alguma.
Quanto aos Suíços, é um povo muito culto e de uma educação esmerada. 
Na Suíça encontrei paz, creio que em Portugal corremos todos demais, nós próprios criamos o nosso stress. Na Suíça as coisas estão de tal maneira organizadas que não vives constantemente sob pressão e há tempo para tudo. 



Tens toda a tua familiar nuclear em Portugal. Como é que se gerem as saudades, à distância?

Na verdade não se gere, vai-se gerindo, é um constante buraco aberto no peito, um desassossego permanente. Sempre que um telemóvel toca fora do horário habitual e vemos um número dos nossos, é um sobressalto.
Sou imensamente grata aos inventores destas novas tecnologias que nos permitem ver os que amamos e que encurtaram as distâncias. Não tens o abraço é verdade, mas ao mesmo tempo penso que se estivesse em Portugal não estaríamos tão presentes nas vidas uns dos outros. Eu e a minha mãe falamos diariamente e várias vezes por dia, por exemplo. 


O que é que mais gostas de fazer, quando regressas? Pensas regressar de vez, algum dia?

Sinceramente e com o intuito suavizar a nossa conversa, a primeira coisa é beber um café bem português, normalmente ainda no aeroporto.
Gosto de abraçar, tenho muitos abraços sempre a minha espera e é tão bom. Sou muito de abraços.
Com o tempo fui apurando e aprendendo o que gosto de fazer sempre que vou. É preciso estabelecer prioridades, porque o tempo é um ladrão que rouba tempo ao próprio tempo.
Adoro estar com os meus filhos, ir a casa do meu filho mais velho e dar colo ao mais novo, estar com os meus pais e irmãos, quando conseguimos conciliar, porque tenho um a viver em Londres e outro em Lisboa. 
Estas são as minhas prioridades. A minha mãe, além de mãe sempre foi e continua a ser a minha melhor amiga. Saímos muito, passeamos, fazemos almoços a duas, vamos às compras juntas, somos confidentes. A minha mãe, como costumo dizer, é a melhor pessoa do meu mundo.
Depois gosto de jantaradas com os amigos, conhecer novos restaurantes, come-se sempre tão bem nesse país. Também depende da altura do ano. No Verão aproveitamos sempre a praia e as esplanadas à beira mar. No Inverno experienciamos outras actividades, mas seja qual for a altura do ano, a família tem sempre prioridade. Vir a casa é regressar à cidade e à casa onde sou sempre feliz, muito feliz. Acalmo o coração e tento aproveitar tudo ao máximo, dou e recebo amor.
Vir a casa é ter mais tempo para mim e para os meus, aproveitar este tempo tão nosso e renovar forças.



Quando te desafiei para esta conversa, propus-te que falássemos de um assunto difícil, íntimo e ainda de certa forma tabu para muitos de nós. Aceitaste e toda a admiração que tenho por ti, há tantos anos, conseguiu aumentar ainda mais. Mais do que fazer-te perguntas sobre o que sentiste e sentes em relação ao caminho dos últimos meses, gostaria que fosses tu a abordar o tema. Primeiro porque acredito que, de certa forma, cada pessoa que vive esta situação a vive física, psicologicamente e emocionalmente de forma diferente. Depois porque também acredito que hoje compreendas profundamente que mensagem é importante transmitires a quem esteja a experienciar o mesmo cenário que tu, seja por o estar a viver na primeira pessoa, seja por ser familiar de alguém que o está a viver.

A palavra Cancro assumiu um papel real na tua vida. Como tem sido viver isso, na primeira pessoa?


Tem sido uma longa e difícil caminhada. Um choque brutal que transformou as nossas vidas para sempre e que nos fez repensar tudo. O cancro não escolhe nem discrimina, é uma doença que pode afectar qualquer pessoa, embora pensemos verdadeiramente que só acontece aos outros. Damos a vida como garantida até ao dia em que percebemos que estamos a prazo, que podemos morrer. Ser confrontado com esse finitude é devastador. Lembro-me perfeitamente do dia em que me deram o diagnóstico: parecia que tudo tinha perdido a cor, o azul do céu ficou cinzento, naquele momento parecia que via tudo a preto e branco. Estava em choque. E esse foi o só o primeiro diagnóstico, dizerem-me que tinha cancro da mama. Seguiram-se dias confusos, sem saber bem o que me estava a acontecer, carregados de idas ao hospital e de exames para confirmar o diagnóstico. Foi tudo vivido a dois, entre mim e o Miguel, porque não queríamos alarmar ninguém antes de termos certezas. Costumo falar com a minha mãe todos os dias e naquela altura deixei de o fazer. Não conseguia simplesmente agir como se nada se estivesse a passar. Há outro motivo muito forte para ter adiado a conversa. A minha avó materna morreu com cancro da mama, tinha a minha mãe 16 anos. Não podia dar-lhe uma notícia destas, via skype, sem um diagnóstico seguro. Na consulta seguinte disseram-nos que faria uma mastectomia e o Miguel achou que era hora de comunicar à minha família. Tremia toda, a voz tremia-me, sentia-me como se estivesse engasgada, com uma bola na garganta. A reação da minha mãe, o pânico quando lhe disse que era cancro, foi tudo muito difícil. Não há formas fáceis de dar uma notícia destas. Seis dias depois estávamos abraçadas no aeroporto. Em lágrimas. Veio a pior das notícias, o dia mais difícil da minha vida. Tinha realizado uma TAC e o médico perguntou-me se alguma vez tinha tido alguma queda, algum acontecimento que justificasse uma mancha que apareceu na coluna. Disse que poderia ser uma lesão antiga e lembrei-me de há muitos anos ter caído nas escadas em casa dos meus pais. Assumi que seria isso, a tal lesão antiga, mas dias depois do primeiro diagnóstico a médica, com as lágrimas nos olhos, deu-nos finalmente a notícia que mudou a minha vida: tinha um cancro de mama metastizado nos ossos (grau IV). Perguntei quanto tempo tinha de vida. Não me lembro de muito mais. Dias depois chegou um telefonema a dizer que afinal não iria ser submetida a uma cirurgia. Num colóquio entre oncologistas para estudar o meu caso, decidiu-se que iria começar um tratamento em Friburgo com um médico que vim a perceber que era o diretor do serviço de oncologia. Com o cancro espalhado, a cirurgia já não era uma solução. Ia ser seguida por uma equipa multidisciplinar, composta por médicos, enfermeiras responsáveis por me administrarem os tratamentos, e até assistentes da Liga contra o cancro. A minha vida seria revista em função da minha doença a todos os níveis, posso dizer-te até financeiramente. O cancro muda todas as regras. Tínhamos, como te disse, um projeto de regressar a 6 anos, mas a doença acabou por suspender os nossos planos. Um cancro metastizado não tem cura, é uma doença crónica, que implica um acompanhamento a cada 2/ 3 meses, novos exames e ajustes nos tratamentos. Hoje vivemos um dia de cada vez. Fui obrigada a parar o meu negócio próprio, está em stand by. As metástases na coluna causam dores horríveis e impedem-me de trabalhar. Por outro lado, deixam-me angustiada, ansiosa perante os novos exames e a possibilidade de um resultado menos bom. Tem sido uma luta diária com muitos altos e baixos, a palavra Cancro tem uma conotação pesada, ainda é tabu falar tão abertamente desta doença. Percebi-o ao longo destes oito meses de doença. Mas tem sido também uma aprendizagem, um auto-conhecimento, o que pensava ser uma sentença de morte passou a ser para mim uma lição sobre a vida, daí partilhar a minha vida nas redes sociais, por exemplo, e ter aceite o teu convite, que muito me honra, para esta entrevista. Espero conseguir transmitir a outras pessoas, mulheres ou homens, que podemos viver de mãos dadas com esta doença. Acima de tudo que é possível reduzir a possibilidade de vir a ter um diagnóstico destes. 



Felizmente, há cada vez mais pessoas a falarem abertamente sobre este assunto - muitas delas figuras públicas - e algumas campanhas - uma delas bastante recente - têm contribuído para que se torne de certa forma mais leve abordar uma doença que tanto peso traz para o próprio e para as famílias. O que achas que há de positivo e o que achas que se podia fazer mais?

Felizmente que há mais pessoas a falarem abertamente, como já disse, só a palavra cancro traz consigo tudo o que de mau possamos pensar, mas na realidade e por muito mau que seja, que é, felizmente há outras pessoas além de mim a encontrarem coisas positivas num diagnóstico de cancro. Aqui há uns meses eu dizia que sou muito mais feliz agora do que era há oito meses atrás e é verdade sabes. Aproveitas a vida tal como ela é, dentro das possibilidades que tens, com verdade e autenticidade, sem desculpas ou subterfúgios para fazer ou deixar de fazer seja o que for. 

Hoje conheço a realidade do serviço de saúde Suíço a este nível, tanto quanto sei, bem diferente do sistema nacional de saúde Português. Por tudo o que tenho lido e visto nas noticias, pelas campanhas que vou acompanhando, julgo haver ainda muito a fazer, mas também considero que estas ultimas campanhas que tenho acompanhado são fortes, verdadeiras e bem direcionadas, pondo o cancro tabu de lado e olhando de frente esta doença que tantos afeta e isso é muito positivo.




As fotografias que enviaste para acompanhar esta conversa são extraordinárias. Pela beleza e pela força que revelam. Pela verdade e pela Luz que transmitem. Diz-se muitas vezes que manter um pensamento e comportamento otimista perante esta doença é determinante em muitos aspetos, nomeadamente na conquista de resultados positivos em cada etapa. Qual é a tua opinião?

É fundamental conseguir manter um pensamento positivo e otimista, não é sempre fácil, mas é fundamental sim. É muito importante manter o foco, criar alguns objectivos, coisas simples, nem que seja impor-nos uma simples caminhada diária. Eu tenho um apoio incrível, tenho o Miguel, que tem sido a minha força. É preciso acreditar, para acreditar tens de ter Fé. Eu resgatei a minha Fé e apoio-me nela e neste amor que me ajuda todos os dias a trocar lágrimas por sorrisos. Acredito também que esta minha forma de estar perante a doença, o apoio incondicional da minha família, a minha atitude face a tudo o que tenho vivido, foram responsáveis pelos resultados positivos que tenho tido.





Pessoalmente, e creio que esse é um sentimento geral, tenho a maior admiração por todos quantos passam por um desafio destes e mantêm um espirito guerreiro e inconformista. Acredito, verdadeiramente, que o caminho é por aí. Mas, ao mesmo tempo, sinto muitas vezes que o pensamento coletivo tende a ser demasiado exigente e até muitas vezes desajustado quando cria a expetativa de que um doente de cancro afaste sempre todos os fantasmas e não tenha dias maus. Como se no fundo precisássemos todos disso, dessa atitude desassombrada, para exorcizar os nossos próprios medos e aliviar o nosso contacto com a dor de quem o vive. E tudo isso parece-me altamente injusto. O doente de cancro, como qualquer doente, como qualquer pessoa, tem o direito a sentir tristeza, desânimo e dúvidas, não tem? Sentes que de alguma forma as pessoas com cancro sentem necessidade de camuflar tudo isso para não serem rotuladas ou para que os outros se sintam mais confortáveis em apoiá-las?

Essa pergunta é verdadeiramente interessante.
Claro que os doentes oncológicos não só têm direito a sentir tristeza, dúvidas, medos, como o sentem verdadeiramente, ainda que o sintam numa solidão que não consigo descrever. 
A minha mãe diz-me frequentemente que eu “estou sempre bem”, que desmistifico e diminuo tudo o que sinto cada vez que falo com os meus filhos, com a minha família. É verdade, dou por mim a fazê-lo, aos meus sempre com o intuito de os proteger, às outras pessoas porque também não gosto que me tratem como uma coitadinha. 
Depois, percebi efetivamente que as pessoas, na sua generalidade, não se sentem confortáveis no apoio aos doentes oncológicos, não sabem como reagir, há pessoas que se afastam mesmo. De princípio não compreendia, hoje aceito melhor, apesar de continuar sem perceber o seu afastamento, felizmente que também conhecemos outras pessoas neste processo todo. 



Ao longo destes meses de tratamento, já conheceste muitas pessoas que estão a viver o mesmo que tu. Há alguma pessoa ou episódio concreto que te tenha marcado de forma especial? Queres partilhar?

Sim algumas, seja conhecer pessoalmente, seja virtualmente, há todo um mundo de doentes de cancro de mama que se apoiam mutuamente no espaço virtual e é muito bom, são pessoas como eu, que passam exatamente pelo que estou a passar. Tenho duas experiências que vivi e que me marcaram.U uma foi no hospital, na sala de espera , foi uma conversa tão interessante que a partir daquele dia decidi que a minha experiência podia, de alguma forma ajudar alguém. A outra experiência foi virtual, uma das minhas “irmãs” de cancro, como me trata. Uma pessoa que “conheci” depois de ter decidido usar o instagram, neste caso, como forma de ajuda a outros doentes oncológicos. 



Como é que que achas que a tua experiência pode ajudar outras pessoas?

Gostava muito que a minha experiência pudesse ajudar. Através das minhas redes sociais, principalmente no instagram, insisto muito no auto-exame da mama, no rastreio mamário (mamografia anual em mulheres acima dos 40 anos) e o exame clínico da mama, realizada por um especialista. A detecção precoce é importantíssima e pode salvar vidas.
Tento também transmitir sempre uma atitude positiva, de forma a que quem me siga consiga perceber o quão importante é termos uma atitude positiva perante a doença, o quanto essa atitude nos ajuda a viver melhor, a ser feliz. 




Agora que a tua vida profissional está temporariamente em stand by, o que mais gostas de fazer e como aproveitas os teus dias? Aí na Suíça, qual é o teu spot preferido?

Gosto muito de escrever. Uns meses depois de ter sido diagnosticada comecei a escrever. É o meu momento de catarse. O momento que exorcizo todos os meus medos e inseguranças. Tento escrever sempre que consigo, há dias em que não consigo, não quero. Aprendi a meditar, comecei com a minha mãe, quando foi ter comigo, logo no início, uma meditação orientada para a respiração, é uma das coisas que me acalma verdadeiramente. Vivo num lugar muito tranquilo, passa um rio ao lado de minha casa e o lugar que mais paz me traz é passear no meio da natureza, adoro fazer caminhadas ali, falo sozinha, falo com Deus, encontro-me. 



Se pintasses um quadro nesta fase da tua vida, o que representarias nele?

Um ponto de Luz.


✩ fim ✩

4 comentários:

  1. As fotos estão lindas e a entrevista é simplesmente avassaladora. Nem consigo dizer mais nada, exceto desejar tudo de bom aos intervenientes.

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  2. Espero amiga k encontres esse teu sol ou msm a luz ao fundo do tunel.....mil bjs muita força

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  3. Entrevista espetacular e fotos maravilhosas e lindas !
    Amei ler esta entrevista! Ritinha és um exemplo para todos, uma força incrivel ! Continua assim ! Es uma pessoa maravilhosa e desejo te muita força e coragem ! Beijinhos
    Joana Almeida

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  4. Rita, em cada palavra revi-te. Tal e qual como te conheço.O meu tumor na tiróide foi retirado. A tiróide também. Não estou 100% fora de perigo. Conheço alguns desses sentimentos e tenho-te sempre no pensamento. Já te disse, há uns anos, em Braga:os mais fortes têm os fardos mais pesados por alguma razão. Beijo, amiga.

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